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Emergências Médicas e Pronto Atendimento

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Por Dr. Angelo de Souza

Com as portas abertas e prontos para o atendimento ao público, os hospitais de emergência recebem muitas pessoas todos os dias. No entanto, na maioria das vezes, quem passa por lá nem sempre recebe atendimento de qualidade. O paciente, depois de esperar, recebe a medicação que apenas alivia os sintomas e dificilmente recebe um diagnóstico. São muitas as questões envolvidas no processo. A organização e o sistema de triagem também é colocado em prova e levantam dúvidas quanto a sua eficácia. Os pacientes recebem atendimento, mas sem informações e orientações necessárias ao tratamento e à prevenção de outras doenças, que na realidade representa saúde.

Mas, afinal, o que é saúde?  Saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde, é definido como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente ausência de afecções e enfermidades”. O ser humano vive em sociedade e só é mais forte que as outras espécies porque vive assim. A saúde é um valor tanto da comunidade como do indivíduo, mas que tanto o homem como a própria sociedade nessa correria desenfreada desconhe o verdadeiro sentido. O modelo que vem sendo desenvolvido nas unidades de saúde pública todos perdem. A população sofre com a falta de atendimento qualificado, os profissionais de saúde com  a falta de infraestrutura nas unidades de trabalho  e de assitência médica, pois inúmeras vezes nos procuram pedindo um exame complementar. Perde também governo que investe recursos financeiros e não tem o retorno esperado.

 Dizer que o atendimento médico de emergência em nossas cidades é mal organizado é facilmente perceptível. Mas, muitos desconhecem a Resolução CFM n.° 1.451, de 10 de março de 1995(1) que diz:

  • Urgência: ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata.
  • Emergência: constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato.

Para conseguir atender pacientes num desastre, que é uma situação que supera a capacidade de uma equipe ou sistema de saúde de atender as vítimas, foi criado um protocolo de triagem que classifica as vítimas. Começou nas guerras, mas hoje é plenamente difundido. Ele seleciona os pacientes por cores. Os vermelhos correspondem à emergência médica. Os amarelos as urgências, os verdes aos pacientes eletivos, mas que tem doenças facilmente diagnosticadas. Já os classificados como pretos precisam de tratamento paliativo, mas nunca podem ser deixados de receber tratamento humano para diminuir seu sofrimento ao mínimo possível e finalmente os brancos que não tem doenças diagnosticadas e devem ser liberados.

Num desastre:

LESIONADOS COM RISCO DE VIDA (VERMELHOS) Precisam ser, imediatamente, estabilizados  e transportados para um hospital de referência.
LESIONADOS GRAVES (AMARELOS) Graves, mas podem esperar pelo tratamento e transporte.
LESIONADOS LEVES (VERDES) Não precisam de  tratamento imediato, mas em função da gravidade do evento precisam de observação.
LESIONADOS IRRECUPERÁVEIS (PRETOS) Precisam de tratamento paliativo.
SEM SINTOMAS (BRANCOS) São liberados para não dificultar o tratamento dos demais.

 

Para termos uma noção mais clara dos códigos, no dia a dia os vermelhos seriam pacientes com Infarto Agudo do Miocárdio, os amarelos com uma cólica renal que não vão morrer, mas sofrem muito. Os verdes seriam os resfriados que podem esperar, mas serão tratados e encaminhados à seus médicos assistentes e ou aos ambulatórios. Os brancos são aqueles ansiosos que precisam de apoio, mas não do hospital. Finalmente os classificados pretos como as neoplasias avançadas porque as lesões são tão graves que vão levar a morte independentemente do que se faça, mas que não podem ser negligenciados e devem ser tratados tanto em suas casas como nos hospitais.

As classificações são extremamente importantes e, para os médicos, fazem toda diferença na hora de salvar vidas. Ao identificar a situação real de cada paciente, é possível que sejam atendidas as necessidades essenciais do indivíduo. Para os pacientes, estar doente não é bom, esperar por atendimento também não, mas é preciso paciência e solidariedade ao sofrimento alheio. Por isso, entender que os casos de emergência, que implicam em risco de vida ou sofrimento intenso, tem prioridade fará a diferença na próxima vez que estiver numa emergência. Os problemas existem, mas podem ser compreendidos e contornados.

 

Fonte:

1. http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/1995/1451_1995.htm

2. http://187.17.2.102/fhs/media/files/samu/manual_de_regulacao_medica_das_urgencias.pdf

 

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