Opinião

Editorial – Hesio Cordeiro (1942-2020)

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Sem Hesio não teríamos o SUS e o direito à saúde inscritos na nossa Constituição”.

José Gomes Temporão

 

Faleceu no último domingo, 08/11, o Prof. Hesio Cordeiro, membro do Conselho Consultivo do Observatório da Saúde e um dos mais importantes defensores da saúde pública em nosso país.

Nascido em Juiz de Fora e formado em 1965 pela Faculdade de Medicina da UERJ, Hesio Cordeiro dedicou toda a sua vida ao ensino, à pesquisa e ao desenvolvimento da saúde pública. Fundou, em 1971, um dos primeiros institutos universitários de pesquisa nessa área, o Instituto de Medicina Social da UERJ. Em 1976, em pleno regime militar, foi signatário de um documento em que se pedia a criação de um sistema de saúde que atendesse gratuitamente a todos os cidadãos. Participou ativamente de todas as etapas do chamado movimento da Reforma Sanitária. Esse movimento culminou com a realização, em 1986, da 8ª Conferência Nacional de Saúde cujas conclusões viriam a servir de base para a seção “Da Saúde”, na Constituição Federal de 1988. Ali, no artigo 196, ficou estabelecido o princípio de que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”. Estava, assim, criado o SUS que viria a ser regulamentado, dois anos depois, pela Lei 8.086/90.

Vale lembrar que, até a promulgação da Constituição, só tinham direito aos serviços públicos de saúde as pessoas filiadas à Seguridade Social, ou seja, os portadores de Carteira de Trabalho. Os trabalhadores informais e a maioria da população de baixa renda eram atendidos em instituições de caridade na condição de “indigentes”.

Presidente do Inamps à época, Hesio Cordeiro contribuiu decisivamente para acabar com essa situação injusta e promover a transição gradual do sistema então vigente para o atual Sistema Único de Saúde, garantindo a todo cidadão brasileiro o acesso a uma saúde pública gratuita, equânime e para todos.

Outra contribuição do movimento da Reforma Sanitária a ser ressaltada é a passagem de um sistema que privilegiava a medicina curativa – o tratamento das doenças – para outro voltado para a prevenção e promoção da saúde, características essenciais do SUS.

Neste momento de dor e saudade, o Observatório da Saúde vem, com muita emoção, manifestar a sua solidariedade aos familiares e amigos de Hesio de Albuquerque Cordeiro e registrar o muito que a ele devemos todos os brasileiros.

Que descanse em paz!

 

Marcio Meirelles, Editor Executivo do Observatório da Saúde

Um comentário em "Editorial – Hesio Cordeiro (1942-2020)"

  1. Acyr Gonçalo Cunha disse:

    Foi uma enorme perda. Um mestre que formou discípulos que reverberaram sua politica social da saúde. Saúde Pública equânime e de qualidade com ênfase na prevenção.
    O Observatório da Saúde RJ honra seu legado, difundindo e defendendo suas diretrizes e sua luta.

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