Giselle Felix

Programa Saúde do Futuro

Por Giselle Felix

É possível no futuro, prevenir a Doença de Alzheimer e a Demência?

Giselle Felix
Fisioterapeuta

A Doença de Alzheimer é um distúrbio cerebral progressivo que destrói lentamente a memória e, eventualmente, a capacidade de realizar as tarefas mais simples. Em casos leves, o paciente pode esquecer apenas o que foi informado 10 minutos atrás; no entanto, em casos graves, a condição pode interferir na vida e nas atividades diárias de uma pessoa. Nos estágios finais da doença de Alzheimer, os pacientes devem confiar completamente nos outros para cuidar deles, pois a perda da autonomia pode chegar à sua totalidade. O mês de Setembro é considerado o mês mundial da Doença de Alzheimer, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer.

As tendências globais sustentam que a principal razão para o crescente número de pessoas com a doença é principalmente o rápido envelhecimento da população. A Federação Internacional das Associações de Alzheimer em todo o mundo, Alzheimer’s Disease International, afirma que atualmente a demência se desenvolve em um paciente a cada 3 segundos – e a doença é projetada para atingir 75 milhões de casos até 2030, enquanto 131,5 milhões até 2050. Grande parte do aumento se dará em países em desenvolvimento, como o Brasil. Já 58% das pessoas com demência vivem em países de baixa e média renda, mas em 2050 isso aumentará para 68%. Os números agravantes precisam ser combatidos o mais rápido possível, caso contrário os sistemas de saúde já sobrecarregados terão que lidar com milhões de novas demências e pacientes com Alzheimer nos próximos anos. Então, vamos ver se as tecnologias digitais podem oferecer soluções e alguma esperança para interromper ou pelo menos desacelerar as tendências, já que seriam uma forma escalável de distribuição.

Os pesquisadores estão debatendo as causas exatas da doença, alguns dizem que uma mutação genética pode ser a causa da doença em pessoas com Alzheimer de início precoce. No entanto, quando os sintomas da doença aparecem muito mais tarde, os motivos provavelmente incluem uma combinação de fatores genéticos, ambientais e de estilo de vida. Isso parece tão genérico quanto na maioria das doenças, e não evidencia nada que um indivíduo pudesse fazer para impedir que um distúrbio cerebral progressivo destrua suas memórias preciosas. Talvez por isso, a prevenção e o manejo precoce sejam geralmente dificultados pelo fato de o diagnóstico já ocorrer em estágios posteriores da doença – embora um crescente corpo de evidências indique que alterações cognitivas, comportamentais, sensoriais e motoras podem preceder suas manifestações clínicas por vários anos.

Embora não exista panacéia para a doença de Alzheimer, a Harvard Health Letter sugere um estilo de vida ativo com bastante exercício diário, uma dieta mediterrânea (ou, pelo menos na nossa leitura, saudável) e dormir o suficiente. Tudo isso parece trivial, mas não nos importamos em sermos repetitivos quando se trata de saúde ; )) Além disso, manter a saúde cognitiva – talvez com algumas tecnologias digitais de saúde, aprender coisas novas e conectar-se socialmente também pode aumentar os fatores que impedem o desenvolvimento da doença. Segundo o portal do Ministerio da Saúde, os médicos acreditam que manter a cabeça ativa e uma boa vida social, regada a bons hábitos e estilos, pode retardar ou até mesmo inibir a manifestação da doença, e recomenda como principais formas de prevenir não apenas o Alzheimer, mas outras doenças crônicas como diabetes, câncer e hipertensão, por exemplo, as seguintes atividades: estudar, ler, pensar, manter a mente sempre ativa. Fazer exercícios de aritmética, jogos inteligentes, participar de atividades em grupo, não fumar, não consumir bebida alcoólica, ter uma alimentação saudável e regrada e praticar atividades físicas regulares.

Recentemente, pesquisadores descobriram biomarcadores digitais, que aproveitam os avanços nas tecnologias móveis e portáteis de consumo, como algo que poderia no futuro, ajudar no diagnóstico da doença, antes mesmo dela se formar. Imagine que no futuro o seu médico possa lhe dizer durante uma visita que o uso do telefone mostra sinais muito precoces de um distúrbio cerebral degenerativo e aqui estão os passos que você pode fazer para evitá-lo. Isso é baseado na captura de mudanças precoces no comportamento e nas habilidades cognitivas, desde a fala até o ritmo cardíaco. Até os pesquisadores descobrirem quais são os melhores biomarcadores digitais para detectar a doença de Alzheimer décadas antes de se desenvolver, isso pode levar décadas, mas esperamos chegar mais perto dela dia a dia.

Referências:

The Medical Futurist – When Technology Remembers: Digital Health And Alzheimer’s Disease:  https://medicalfuturist.com/digital-health-and-alzheimers-disease?utm_source=The%20Medical%20Futurist%20Newsletter&utm_campaign=b07238ce29-EMAIL_CAMPAIGN_2019_08_12&utm_medium=email&utm_term=0_efd6a3cd08-b07238ce29-420623169

Associação Brasileira de Alzheimer: http://abraz.org.br/web/

Portal do Ministério da Saúde – Alzheimer: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção: http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/alzheimer

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