Isis Breves

Saúde Coletiva

Por Isis Breves

Dia Nacional de Combate ao fumo

Dia 29 de agosto é o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Uma data instituída no calendário da saúde do Ministério da Saúde (MS) em 1986, pela Lei federal 7.488. O tabagismo é uma das principais causas de morte evitáveis no mundo e pode causar cerca de 50 doenças, principalmente às ligadas ao coração e à circulação, câncer de vários tipos e doenças respiratórias.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabaco é responsável por cerca de 6 milhões de mortes em todo mundo.  No Brasil, estima-se que o tabagismo seja responsável por 200 mil mortes por ano.  É também um fator de risco importante para o desenvolvimento de outras doenças tais como tuberculose, úlcera gastrintestinal, impotência sexual, infertilidade em mulheres e homens, entre outras.

Em 2015, morreram no país 256.216 pessoas por causas relacionadas ao tabaco, o que representa 12,6% dos óbitos de pessoas com mais de 35 anos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).  O Instituto aponta ainda que para cada tragada do cigarro, são inaladas 700 substâncias tóxicas, entre elas, três são consideradas as piores: A Nicotina, que provoca dependência e chega mais rápido que a cocaína, e está associada aos problemas cardiovasculares; O Monóxido de carbono (CO), a mesma substância que sai do cano de escapamento dos carros, que ao ser inalado, o CO combina com a hemoglobina do sangue e reduz a oxigenação sanguínea; O Alcatrão, que reúne várias substâncias cancerígenas, como polônio, chumbo e arsênio.

Todo câncer relacionado ao fumo – como na boca, laringe ou estômago – tem alguma ligação com o alcatrão. A união desse poderoso trio de substâncias na composição do cigarro só poderia tornar o produto extremamente nocivo à saúde. Para se ter uma ideia, 90% dos casos de câncer de pulmão estão ligados ao fumo. O câncer de pulmão é um dos tipos mais agressivo e é o quarto motivo de morte relacionado ao tabagismo, com 23.762 casos. O fumo passivo foi a causa de morte de 17.972 pessoas.

O Brasil tem um custo anual de R$ 56,9 bilhões com o tabagismo.  Desse total, R$ 39,4 bilhões são com despesas médicas e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade, causada por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura, revela o Inca.

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é a enfermidade relacionada ao tabagismo que mais gerou gastos aos sistemas público e privado de saúde em 2015, com R$16 bilhões. Doenças cardíacas vêm em segundo lugar, com custo de R$ 10,3 bilhões. 

Em 2004, O MS em parceria com o Inca publicou o estudo “Prevalência de Tabagismo no Brasil – Dados dos inquéritos epidemiológicos em capitais brasileiras” que apresentou dados da prevalência de uso regular de cigarros no país.  A maior prevalência encontrada foi em Porto Alegre (25,2%), seguida de Curitiba (21,5%), Belo Horizonte (20,4%) e São Paulo (19,9%). As menores prevalências são observadas em Aracaju (12,9%) e Campo Grande (14,5%) e Natal (14,7%). De uma forma geral, as cidades urbanas apresentam maiores prevalências com exceção do Rio de Janeiro, o qual o número de fumantes regulares vem se reduzindo rapidamente. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição, – (PNSN) realizada pelo IBGE em 1989, a prevalência na cidade do Rio de Janeiro foi estimada em cerca de 30%. Já em 2001, um inquérito realizado na mesma cidade pelo INCA (CONPREV/INCA/2001) mostrou uma prevalência de 21% e, neste estudo, foi observado em proporção de 17,5% fumantes.

Políticas Públicas antitabagismo

O Brasil é um dos pioneiros em políticas públicas para a redução do uso do tabaco. Há três marcos que contribuíram para a redução do tabagismo no país: A proibição da propaganda do fumo em 2000, a proibição de fumar em ambientes fechados em 2005 e o aumento do imposto sobre o cigarro de 2011 a 2016, aliado à obrigação das imagens de advertências nos maços implementada em 2008. 

Além disso, a oferta do tratamento para parar de fumar pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, precisamos avançar em políticas para o cultivo do tabaco no Brasil. Somos o segundo maior produtor, um dos maiores exportadores e há 150 mil famílias que depende da cadeia produtiva da produção do tabaco no país. Há se oferecer alternativas a esses produtores.

Programa de Controle do Tabagismo da Cidade do Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, a prefeitura oferece o Programa de Controle do Tabagismo, baseado nas diretrizes do Programa Nacional de Controle do Tabagismo do MS. As estratégias adotadas na cidade seguem cinco linhas de ação: ambientes 100% livres de fumo, tratamentos para deixar de fumar, prevenção da iniciação no tabagismo, mobilização em datas comemorativas como a data de hoje (29/08 – Dia Nacional de Combate ao Fumo) e divulgação da legislação.

Sobre o tratamento para fumantes, são oferecidos em mais de 150 unidades do município com atendimento multidisciplinar. E para ter acesso ao programa acesse o link para obter informações :

http://www.rio.rj.gov.br/documents/73801/9d3b46b4-b0eb-4d57-ac12-c2154051b19d

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