Isis Breves

Saúde Coletiva

Por Isis Breves

Dia Nacional de Combate ao Colesterol para conscientizar de um mal silencioso responsável por graves doenças cardiovasculares

Dia 8 de agosto foi o dia Nacional de Combate ao Colesterol. A data tem o objetivo de conscientizar a população dos riscos que o colesterol alto traz para doenças cardiovasculares, entre elas o infarto e o acidente vascular cerebral (AVC). Doenças essas com um importante fator de risco de morte. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (2014) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde (MS), 18,4 milhões de brasileiros estão com as taxas de colesterol consideradas altas. A Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro (RJ) (2014) publicou que a morte por doenças do aparelho circulatório é a 1ª causa que mais mata no estado e a taxa de mortalidade é 31.2%.

O colesterol é uma substância gordurosa, produzida em nosso organismo e também em menor proporção, absorvida pela alimentação, com importantes funções essenciais à saúde. Ele é o componente estrutural das membranas celulares, é precursor da Vitamina D, e importante para o funcionamento cerebral e cognitivo. Atua na produção dos ácidos e sais biliares, sendo fundamental para a produção de hormônios, entre eles testosterona, estrógeno e cortisol.

Há dois tipos de colesterol em nosso organismo, LDL, responsável pelo transporte de colesterol produzido no fígado para as células. Quando há excesso de LDL na circulação, sem aproveitamento pelas células, aumenta o risco de entupimento das artérias pela gordura e ampliam-se as chances de haver doenças cardiovasculares. Existe ainda o HDL, responsável por retirar o excesso de colesterol da circulação, levando de volta para o fígado, para que possa remover a gordura do organismo.

O mais preocupante é que não há sintomas quando o colesterol está alto no organismo, é um mal silencioso e principal causador do infarto e AVC, doenças que mais matam no Brasil e no mundo. Por isso, os exames de rotina que avaliam as taxas de colesterol são fundamentais para um tratamento precoce. Além disso, para prevenir o colesterol alto, é necessário um estilo de vida saudável, com dieta balanceada e prática de exercícios físicos regulares, pelo menos três vezes por semana.

Enfretamento das Doenças Cardiovasculares no Brasil e no mundo

No Brasil, o MS através do Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas Não – Transmissíveis (DCNT) elaborado em parceria com vários ministérios, instituições de ensino e pesquisa, ONGs da área de saúde, entidades médicas, associações de portadores de doenças crônicas, entre outros, visa promover o desenvolvimento e a implementação de políticas públicas efetivas, integradas, sustentáveis e baseadas em evidências para prevenção e o controle das DCNT. O Plano visa preparar o Brasil para enfrentar e deter as DCNT até 2022.

As doenças cardiovasculares estão no rol das principais DCNT, assim como doenças respiratórias crônicas, diabetes e neoplasias. Em 2014, as doenças cardiovasculares foram a primeira causa de morte no país, em 2012, o SUS contabilizou 1.137.024 internações por doenças cardiovasculares e gastou um total de R$ 2.381.639.909,14. Além disso, são responsáveis por um total de 20% de todas as mortes na população brasileira acima de trinta anos, sendo o sul e o sudeste responsáveis pelas maiores taxas do país.

Esses dados são alarmantes em todo mundo.  Dados da OMS apontam que as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo: mais pessoas morrem anualmente por essas enfermidades do que por qualquer outra causa. Estima-se que 17,7 milhões de pessoas morreram por doenças cardiovasculares em 2015, representando 31% de todas as mortes em nível global. Desses óbitos, estima-se que 7,4 milhões ocorrem devido às doenças cardiovasculares e 6,7 milhões devido a acidentes vasculares cerebrais (AVCs). Mais de três quartos das mortes por doenças cardiovasculares ocorrem em países de baixa e média renda.

E por isso, sob a liderança da OMS, os 194 Estados-Membros concordaram em 2013 sobre mecanismos globais para reduzir a carga evitável de doenças não transmissíveis, incluindo o “Global action plan for the prevention and control of NCDs 2013-2020”. Esse plano visa reduzir o número de mortes prematuras por esse motivo em 25% até 2025 por meio de nove metas globais voluntárias. Duas dessas metas se concentram diretamente na prevenção e controle de doenças cardiovasculares.

Em 2015, os países começaram a definir metas nacionais e medir os avanços alcançados em relação aos valores de referência para 2010, consignados no “Global status report on noncommunicable diseases 2014”. A Assembleia Geral das Nações Unidas prevê convocar em 2018 uma terceira reunião de alto nível sobre doenças não transmissíveis, a fim de realizar um balanço sobre os avanços nacionais para a concretização das metas até 2025.

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