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Dezembro Laranja – Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer de Pele

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Por Juliana Temporal

 

A estação do ano mais querida dos brasileiros, e principalmente dos cariocas, está chegando: o verão. Nesta época, o programa preferido é passar o dia na praia, na beira do mar. Sem dúvida nenhuma, o sol traz muitos benefícios para a saúde, mas em exagero não é nada bom. Junto com o verão, chega a preocupação dos dermatologistas com o câncer de pele, o tipo da doença mais incidente no Brasil e no mundo.

O principal fator de risco para o câncer de pele é a exposição prolongada e repetida ao sol, principalmente na infância e adolescência. Por isso, é fundamental que as crianças tenham, desde cedo, consciência da necessidade de adotar hábitos de fotoproteção, como uso de óculos de sol e blusas com proteção UV, bonés ou chapéus, preferir a sombra, evitar a exposição solar entre 10h e 16h e utilizar filtro solar com FPS igual ou superior a 30, reaplicando a cada duas horas ou sempre que houver contato com a água.

O Dr. David Azulay, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e Chefe do Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay, do Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, concedeu um entrevista ao Observatório da Saúde sobre a importância da prevenção do câncer de pele.

 

Quais são as estatísticas do câncer de pele no Brasil?

No Brasil e no mundo, o câncer de pele é o tipo mais frequente de todos. De forma simples, é possível dividi-lo em dois tipos: câncer de pele melanoma, que é relativamente incomum, sendo cerca de 7% de todos os casos; e câncer não melanoma, que corresponde a cerca de 90% dos casos. No Brasil, estima-se que, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), em 2020, teremos 176.930 novos casos de não melanoma, sendo 83.770 homens e 93.160 mulheres; e 8.450 novos casos de melanoma, sendo 4.200 homens e 4.250 mulheres.

Acredito que esses números estão muito abaixo da realidade, porque, infelizmente, os médicos não têm a cultura ou não se veem obrigados a notificar aos órgãos de saúde, como Secretarias Estaduais e Municipais, um caso de câncer de pele diagnosticado no consultório, por exemplo. Para mim, é praticamente impossível passar uma semana sem ver até três casos câncer de pele no consultório. Se levarmos em consideração o que vemos no Instituto de Dermatologia Professor Rubem David Azulay, do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia, no Centro do Rio de Janeiro, temos dezenas de casos por semana. Por isso, acredito realmente que a estatística está muito aquém da realidade.

 

Quais são os principais tipos de câncer de pele? Qual é o tratamento? Em quais partes do corpo pode se desenvolver câncer de pele?

O principal tipo de câncer de pele chama-se carcinoma basocelular, que corresponde a 70% de todos os casos. Felizmente, ele é um tumor que tem um comportamento bastante benigno e demora semestres para crescer. A sua presença tem que ser muito negligenciada para que ele cresça bastante e, eventualmente, leve ao óbito. O segundo de maior frequência é o carcinoma espinocelular, que corresponde a 20-25% de todos os casos, que é considerado bem mais agressivo. Por sua vez, o melanoma é o tipo que provoca alta mortalidade e corresponde a 7% dos casos. Ele é a principal causa de morte em Dermatologia. Enquanto que o espinocelular e o basocelular tendem a ocorrer em pessoas mais velhas, o alvo principal do melanoma é o adulto jovem.

O tratamento ideal do câncer de pele é a excisão cirúrgica e o diagnóstico precoce. Se o diagnóstico precoce acontece, ninguém morre de melanoma ou de qualquer outra doença ou de qualquer outro tipo de câncer, o que infelizmente, na prática, não é o que vemos.

As partes do corpo em que mais se desenvolve câncer de pele são as áreas fotoexpostas, como rosto e braços. Isso se aplica muito claramente aos cânceres não melanoma, que são representados pelo carcinoma basecelular e o carcinoma espinocelular. Mas, nada impede que um paciente apresente tumores em áreas cobertas. Como é o caso do melanoma, que surge mais em áreas não expostas.

 

A que sinais (sintomas) na pele as pessoas devem ficar atentas e procurar um médico?

A presença de um sinal antigo ou não que começa a apresentar sangramento, ou uma pequena feridinha que não cicatriza, ou uma lesão que nunca causou coceira e de repente começa a produzir esse sintoma, são indícios de alerta e se aplicam principalmente ao câncer de pele não melanoma.

Em relação ao diagnóstico do melanoma, nós aplicamos a regra do ABCDE.  A de assimetria, se é uma lesão assimétrica tem um potencial bem maior do que de uma lesão simétrica; B de bordas, bordas regulares são próprias das lesões benignas, enquanto que as irregulares são mais esperadas nas lesões melanocíticas malignas; C de cor, se a lesão só tem um tipo de cor, por exemplo toda preta, é melhor do que uma lesão que tenha variação de cor; D de diâmetro, lesões menores que 6mm tendem a ser benignas, enquanto que lesões maiores do que 6mm podem estar associadas à malignidade; e E de evolução, que avalia se houve ou não alguma mudança significativa nos últimos tempos.

 

Quais são as causas do câncer de pele? A exposição ao sol é a única causa? Ou pessoas que não se expõem mesmo assim podem desenvolver a doença?

A principal causa do câncer de pele é, sem dúvida alguma, a radiação ultravioleta, sobretudo a radiação ultravioleta B. Existem outros fatores também causadores, capazes de levar ao aparecimento do câncer, como infecções pelo HPV e radiações ionizantes (tratamentos radioterápicos e exposições repetidas).  

 

Quais são as principais medidas de prevenção do câncer de pele?

A principal medida de prevenção do câncer de pele é evitar o sol. As pessoas não podem achar que por aplicarem o protetor solar, elas podem ir à praia, como se estivessem super protegidas. Isso é um conceito errado, não se pode achar que o protetor solar é um passaporte para ir ao sol. É exatamente ao contrário. O que queremos é evitar a exposição à radiação solar. Para evitar essa radiação, é necessário não se expor ao sol no horário de maior intensidade de 10 às 16h. Deve-se usar chapéu ou boné, sendo que os chapéus são melhores devido às abas largas; roupas com fatores de proteção solar associado; e protetor solar.

 

Crianças e negros também têm câncer de pele?

Crianças para ter câncer de pele devem ter alguma doença muito especial, relacionada à instabilidade cromossoma, ou seja, ter uma doença genética.

Sim, negros também podem desenvolver câncer de pele, apesar do sol afetar pouco a pele negra.

 

A pele negra também precisa de filtro solar?

Em condições normais, não. No entanto, se a pessoa se expuser muito ao sol, deve se proteger sim, para evitar um envelhecimento acentuado da pele e mesmo câncer.

 

As blusas com proteção UV, usadas principalmente por crianças na praia, realmente funcionam?

Sim, elas funcionam bem e devem ter o uso estimulado. Os adultos também devem usar.  

 

O câncer de pele pode ser hereditário?

Sim, o câncer de pele pode ser hereditário. É importante estar atento ao histórico familiar.

 

A exposição ao sol é benéfica para a saúde, principalmente para absorção de vitamina D. Por outro lado, deve-se ter cuidado com o câncer de pele. Qual é a indicação de sol para que se evite o câncer de pele, mas para que o sol também seja saudável?

A vida sem sol é impraticável. O longo inverno dos países nórdicos favorece a depressão e a tristeza. Enquanto que o sol é energia, mas é preciso saber se beneficiar dessa dádiva. Todo excesso é ruim. Em relação à absorção de vitamina D, o sol é fundamental para que ela seja produzida. No entanto, precisamos de uma quantidade de sol ínfima para essa absorção.  Ao tomar sol por 5 a 10 minutos andando na rua, numa ida ao supermercado, por semana, já vai ser suficiente para sintetizar a vitamina D necessária para combater a osteoporose.

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