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Desafios para o combate à hanseníase no Brasil: a importância do diagnóstico precoce

Brasil é segundo país com maior número de notificações da hanseníase, com base no último relatório divulgado pela OMS.

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Por: Maylaine Nierg
redacao@observatoriodesauderj.com.br

Embora se trate uma das doenças mais antigas no mundo inteiro, a hanseníase ainda é considerada um desafio da atualidade em muitos países, inclusive no Brasil. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, o país está em segundo lugar no ranking de maior incidência da infecção, com cerca de 26.000 casos informados só em 2016.

No Rio de Janeiro, o dia 5 de agosto foi escolhido como Dia Estadual de Combate a Hanseníase. A data foi estabelecida com a meta de fomentar ações de conscientização sobre o tema, com foco em orientar sobre a importância do diagnóstico precoce.

O médico Egon Daxbache, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio (SBD-RJ), explica que a data funciona como um aporte à campanha nacional de prevenção a hanseníase, que acontece em janeiro. Para o especialista, o assunto precisa ser relembrado com frequência, uma vez que novos casos da infecção vão surgindo ao logo de todo o ano.

A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa e de caráter crônico, podendo ser transmitida através de gotículas de saliva ou de secreções nasais. Uma vez detectado com a doença, o paciente é encaminhado para o tratamento, e as pessoas de seu convívio são submetidas a exames clínicos, visando identificar se houve o contágio.

Combate e conscientização

Uma das principais ações de combate à doença, realizada esse mês no Rio, foi o II Seminário Estadual de Mobilização e Enfrentamento da Hanseníase, que aconteceu nessa terça-feira (07). Iniciativa da Gerência de Dermatologia Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde do Rio, o evento também contou com o apoio da SBD-RJ e de outras instituições ligadas ao tema.

Egon Dexbache contou que a principal meta do evento foi atualizar profissionais da saúde sobre cmo identificar os sinais da hanseníase, a fim de que pacientes infectados sejam encaminhados para o tratamento o quanto antes.

“O seminário, objetivou a capacitação dos médicos, não só da dermatologia, mas também das clínicas da Família, que são a porta de entrada no sistema. É importante prepararmos os profissionais da Atenção Primária nesse sentido, pois eles estão mais próximos de fazerem o diagnóstico precoce da doença”, ressalta Daxbache.

A SBD-RJ já havia fechado parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) e com o Tribunal de Contas do Estado (TCE) para colaborar com a realização do I Curso de Planejamento Estratégico para Enfrentamento da Hanseníase no Estado do Rio de Janeiro. Parte do curso será ministrada por especialistas da SBD-RJ durante todas as terças-feiras de agosto.

Sintomas

O bacilo causador da hanseníase, denominado Mycobacterium leprae, costuma evoluir de forma lenta, podendo levar mais de dez anos para manifestar os sinais da doença. Quando em evidência, os principais sintomas são manchas mais claras, vermelhas ou mais escuras, pouco visíveis e com limites imprecisos, com alteração da sensibilidade no local associado à perda de pelos e ausência de transpiração.

Prevenção

No âmbito da prevenção, especialistas recomendam evitar ambientes mal ventilados ou com aglomeração. Outra estratégia para prevenir o contágio é aplicar a vacina BCG em pessoas que tiveram próximas de um paciente com hanseníase.

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