Notícias

Cuidados com a saúde da mulher: saiba mais sobre a endometriose

endometriose-Shutterstock-Images-2
Por Marcia Azevedo

Durante o ciclo menstrual o endométrio sofre alterações, momento em que o óvulo fertilizado se implanta. Caso não aconteça a fecundação, o endométrio descama e é eliminado por meio da menstruação. Mas, algumas células endometriais podem ir para o lado oposto ao natural durante a menstruação, que é sair pela vagina. Assim, o tecido pode se desenvolver em outros órgãos: trompas, ovário, intestino, bexiga e outros. Neste caso, o sangue que escorreu para a barriga provoca uma reação inflamatória: a endometriose; que é o crescimento indevido do endométrio fora do útero, seu local de origem.

O Dr. Marco Aurélio Pinho de Oliveira, ginecologista e chefe do Ambulatório de Endometriose do Hospital Pedro Ernesto, em entrevista, alerta que o principal sintoma da doença é a cólica menstrual forte. Mas, dependendo de onde o tecido esteja localizado, os sintomas podem variar: dores ao evacuar, urinar ou durante o ato sexual, principalmente no período menstrual; diarreia e até dores na região lombar. “Um outro sintoma importante é a infertilidade. A endometriose é uma das principais doenças que causam, nas mulheres, dificuldade em engravidar”, disse o médico.

Nos casos em que a doença está mais avançada, com a formação de pequenos nódulos envolvendo alguns órgãos, uma ressonância magnética especializada pode mostrar claramente o problema ao especialista. Quando o problema está no início sintomas como dores fortes e infertilidade devem despertar a suspeita; isso porque, como no início os focos são muito pequenos e imperceptíveis, a ressonância não mostra o problema. A opção é a videolaparoscopia que, além de mostrar a doença pode ser usado no tratamento da endometriose, eliminando os focos da doença.

O ginecologista também pode fazer um tratamento medicamentoso, com hormônios – com pílulas contraceptivas de uso contínuo. Com isso, a mulher vai menstruar muito pouco ou não vai menstruar. Mas, o Dr. Marco Aurélio explica que os hormônios ajudam como paliativo: “É um tratamento momentâneo, e indicado nos casos em que a mulher quiser engravidar; também para a dor e não deixa a doença progredir. Porém, nenhum hormônio consegue eliminar o foco de endometriose”. 

Quando a paciente não tem dor e a doença não tem gravidade, mas não consegue engravidar, o ideal é a fertilização in vitro. A outra opção que tem melhor rendimento é a cirurgia, porque tira os riscos da doença, melhora muito a dor e aumenta as possibilidades de gravidez.

O uso contínuo de pílula anticoncepcional, ao longo da vida, é uma das formas de evitar a endometriose. Isso porque ela vai deixar de menstruar; é como se ela estive “grávida” o tempo todo, diz o médico. Isso faz com que as chances de ela ter endometriose sejam menores.

No Brasil, de 15% a 20% das mulheres tem endometriose. Isso significa uma em cada cinco mulheres no país; e o mesmo percentual se repete no mundo. Essas mulheres têm em comum a faixa etária, entre 15 e 45 anos (período reprodutivo) e o histórico de endometriose na família. Essas têm de três a seis vezes mais chances de ter a doença.

Se você se identificou com alguns dos sintomas, procure um médico ginecologista e faça uma consulta!

O Dr. Marco Aurélio Pinho de Oliveira é ginecologista e se dedicou ao estudo do tratamento da endometriose. Ele é chefe da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Ciências Medicas da UERJ e chefe do Ambulatório de Endometriose do Hospital Pedro Ernesto.

Autor do livro “Endometriose profunda: o que você precisa saber” – https://pinhodeoliveira.com.br/livro-endometriose-profunda/

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *