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Cuidado com os idosos: como prevenir riscos de quedas e traumas

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No mês em que se comemora o Dia Internacional do Idoso o Observatório da Saúde faz um alerta importante: os acidentes com quedas e traumas entre pessoas da terceira idade são cada vez mais frequentes e causam preocupação principalmente se associados a fratura. Para se ter uma ideia, em uma das maiores emergências estaduais do Rio, o Hospital Getúlio Vargas, foram realizados mais de 25 mil atendimentos a idosos e 5 mil internações no ano passado. A maior causa de internação na ortopedia da unidade foi por fraturas de fêmur: de 46 internações feitas apenas em agosto deste ano, 32 foram em pessoas com mais de 60 anos de idade.

A literatura médica relata que até 50% dos idosos com fratura de fêmur vão a óbito nos dois anos seguintes e apenas 50%, ou seja, metade dos que sobrevivem, retomam suas atividades sem nenhum prejuízo ou queda de função.  Fraturas como as de quadril, além de limitarem a mobilidade e a execução de tarefas do dia a dia por longos períodos, podem, até mesmo, colocar em perigo a vida do paciente. Um levantamento publicado na Revista Brasileira de Ortopedia apontou índice de mortalidade de 23,6% entre pessoas com idade superior a 65 anos, internadas por esse problema.

“O risco de morte de uma mulher de 50 anos, por exemplo, após quebrar o fêmur, é o mesmo que se apresentaria caso ela tivesse câncer de mama. Isso se dá porque o corpo reage à fratura destinando seus recursos para resolver esse problema, o que pode descompensar outras funções do organismo, como a pressão e ventilação pulmonar e o desempenho do sistema imunológico”, explica Luiz Fernando Cocco, ortopedista e coordenador do Núcleo de Ortopedia do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo.

Apenas 50% dos idosos que são vítimas de fratura no fêmur retomam suas atividades, de acordo com levantamento do cirurgião ortopedista do Hospital Copa D’Or, Daniel Ramallo. Segundo ele, a taxa de óbito relacionada a fratura é alta devido a morosidade do atendimento/procedimento cirúrgico, entre outros fatores.

“Os idosos têm uma fragilidade muito maior da musculatura e na parte óssea, por isso, todo o cuidado ainda é pouco. É preciso ter atenção com detalhes dentro da própria casa para tornar o ambiente mais seguro e confortável para eles”, destaca o secretário de Estado de Saúde e também ortopedista, Luiz Antonio Teixeira Jr.

Fraturas, contusões, traumatismos, hipertensão e o Acidente Vascular Cerebral (AVC) estão entre as cinco principais causas de atendimento ao público da terceira idade no Getúlio Vargas. O coordenador de ortopedia do hospital, Marcos Paulo Mugayar, lembra que a maioria dos acidentes que envolvem idosos acontecem dentro de casa durante práticas simples do dia a dia devido à fragilidade.

“Cerca de 30% dos idosos hoje em dia caem pelo menos uma vez por ano, de acordo com estudos na área. Desse percentual, 15% tem algum tipo de fratura e muitos casos acontecem após queda da própria altura. A curvatura no esqueleto, a marcha mais lenta com o pé arrastado, a diminuição de força muscular e a fraqueza dos ossos são os principais contribuintes para os acidentes”, explica o coordenador.

A proteção está em mudanças simples: evitar o uso de tapetes escorregadios e soltos no ambiente, colocar piso antiderrapante, ter atenção com móveis e objetos espalhados pela casa, colocar iluminação adequada, sinalização de degrau e corrimão em escadas e corredores, entre outras medidas que podem fazer a diferença. Além de cuidar do ambiente domiciliar, é importante manter também atividades físicas.

“Costumamos dizer que existe um ciclo vicioso: a pessoa começa a ficar com mais idade e perde força muscular, fica acima ou abaixo do peso ideal, posição curvada e tende a cair com mais facilidade. Visto isso, é preciso reverter a situação para o ciclo vicioso positivo: colocar a atividade física na rotina, para obter o fortalecimento muscular, manter o peso e, assim, diminuir as chances de quedas. Se todos os idosos pudessem caminhar, seria o ideal”, destaca.

Por que os idosos são mais propensos a fratura de fêmur?

A lesão desta região tem relação direta com fragilidade do organismo e osteoporose, uma vez que quedas e traumas simples na terceira idade podem gerar a ruptura deste osso. O fêmur é um dos ossos mais importantes do corpo, pois conecta a bacia ao joelho, permitindo movimentos simples, porém da maior importância ao desenvolvimento e vida humana. Alguns exemplos em que ele necessariamente é utilizado são: caminhas, correr, subir e descer escadas, e sentar. Uma vez quebrado, o paciente pode ter limitações e, na maioria das vezes, permanecer acamado.

O paciente acamado e deitado, tem suas funções vitais comprometidas, com atrofia e perda da massa muscular, inclusive, a responsável pela respiração. A motilidade intestinal débil faz com que o paciente permaneça constipado e, desta forma, causa a perda progressiva da capacidade respiratória, dos movimentos, da função gastrointestinal, levando o paciente a um estado limítrofe de vida. Além disso, a pele mais fina se rompe e forma escaras cutâneas (grandes machucados que podem infectar com germes altamente virulentos). A higiene precária em um paciente acamado e com dor e a dificuldade de movimentar o corpo faz com que seja um paciente altamente colonizado por bactérias infectantes.

“O lúdico e a parte cognitiva também podem ser afetados e o paciente pode perder noção de espaço e localização. Alteração comportamental como agressividade e agitação podem advir em conjunto, abrindo um quadro de delirium. Estes fatores em conjunto são devastadores para o idoso, que se não for bem conduzidos, podem culminar, em uma última instância, em óbito”, ressalta o especialista, reforçando a importância do atendimento de qualidade ao paciente.

Tratamentos mais avançados

Com técnicas e protocolos modernos, hoje em dia um paciente que passa por cirurgia do fêmur volta a caminhar com apoio assim que acaba o efeito da anestesia e pode ter alta em 24 horas, desde que tenha condições clínicas estáveis – com boas funções renal, pulmonar e cardiovascular – e não apresente dor.

“A Medicina avançou para dar a essas pessoas a chance de retomarem suas atividades diárias no menor tempo possível, reduzindo o período de hospitalização. Mas os riscos de uma intervenção dessa importância não terminam na alta, já que podem haver novas quedas e outras complicações. Por isso, a prevenção desses traumas é o melhor caminho para garantir a qualidade de vida de uma população que está vivendo cada vez mais”, afirma Luiz Fernando.

Evitar traumas causados por quedas é um dos principais fatores para isso e deve começar em casa. Segundo o ortopedista, 90% dos acidentes que levam à fratura de ossos – 50% dos casos envolvem o fêmur – ocorrem em casa. O médico lista, abaixo, as quatro principais dicas para adaptar as residências, de forma a minimizar as chances de queda. “Além de adotar esses cuidados, é importante fazer visitas regulares ao médico, para controle de doenças crônicas, exames de acuidade visual e auditiva, ajuste de medicação – quando necessário – e orientações sobre atividades que preservem a coordenação, a flexibilidade, a força e o equilíbrio”, completa o médico.

Quatro dicas para reduzir quedas dentro de casa

Chão – Mantenha tapetes e fios elétricos fora do caminho, os pisos limpos – sem água ou gordura – e não use cera. No banheiro, utilize tapetes antiderrapantes no boxe e em frente à pia e ao vaso sanitário. Nas escadas, instale piso antiderrapante;

Iluminação – Utilize lâmpadas de 100 watts ou mais, em todos os cômodos, e tenha os interruptores em locais de fácil acesso, como cabeceiras, perto das portas e nas extremidades da escada. Sempre acenda a luz para ter acesso a um cômodo, mesmo que esteja muito familiarizado com o ambiente. Manter a luz do banheiro acesa durante a noite também pode ajudar;

Apoio para caminhar – Instale corrimão dos dois lados de corredores, escadas e vias de acesso de forma geral. No banheiro, utilize também barras de apoio no boxe e próximo ao vaso sanitário;

Armários – Guarde objetos, utensílios e roupas utilizados no dia a dia em armários até a altura da cintura – isso evita que seja necessário subir em algo para alcançá-los ou que o peso deles acarrete um tombo.

 Fonte: SES-RJ / Blog Vida e Ação

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