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Covid-19: quase 400 internados pelo SUS na cidade do Rio vêm de outras regiões

Pelo menos 18% dos pacientes são transferidos a partir da Baixada Fluminense

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O Globo – Publicado em 04/04/2021
Foto: ANDRE COELHO / AFP

 

RIO — Quando a autônoma Leila Queiroz Gonçalves, de 60 anos, apresentou sintomas de Covid no início do mês, a família que mora em Mesquita, na Baixada Fluminense, não pensou duas vezes. Decidiram levá-la para o Hospital Salgado Filho (Méier), a quase 40 quilômetros de casa. Em Mesquita, não há leitos de UTI. Leila acabou morrendo no dia 19, num CTI da Fiocruz para onde foi transferida. O caso de Leila está longe de ser exceção. Levantamento do Sindicato dos Médicos (Sindmed) feito a pedido do GLOBO indica que a carência de leitos de UTI, principalmente na Baixada Fluminense, pode, em parte, ajudar a explicar os recordes de ocupação nas vagas do Sistema Único de Saúde (SUS) da cidade do Rio, com pacientes com casos graves de coronavírus.

Dos 1.708 pacientes que foram internados no SUS na cidade este ano, 392 (18,7%) não viviam na capital . Deste total, quase dois terços (65,05%) vêm de oito cidades da Baixada Fluminense, segundo cruzamento de dados feito pela reportagem. O sindicato observa que a lógica do Sistema Único de Saúde (SUS) é da integração. Por outro lado, observa o presidente do Sindmed, Alexandre Telles, a crise provocada pela pandemia expõe um problema histórico de falta leitos públicos na Região Metropolitana.

— A Baixada Fluminense sempre sobrecarregou a capital por falta de leitos, e não apenas de UTI. Não há uma solução a curto prazo. A pandemia botou isso ainda mais em evidência — disse Telles.

O fenômeno se repete quando o critério é o total de internações em toda rede (incluindo a privada, entre vagas de enfermaria e UTIs). Entre as dez unidades que mais receberam pacientes de Covid em 2020 no estado, cinco ficam na capital. Entre as demais, apenas uma fica na Baixada: o Hospital de Nova Iguaçu.

— Quando socorremos minha mãe, sequer cogitamos procurar socorro em Nova Iguaçu, pois sabemos que costuma estar lotado. Infelizmente, falta infraestrutura— lamenta a filha de Leila, a assistente pessoal Marcela Queiroz Gonçalves, de 33 anos.

O Sindmed avalia que, no caso da pandemia, a situação foi agravada porque a maior parte dos hospitais de campanha prometidos pelo governador afastado Wilson Witzel, que poderiam minimizar a falta de leitos, acabou cercada de denúncias de superfaturamento e desvio de verbas. No ano passado, a promessa do estado era abrir vagas em duas unidades erguidas na Baixada: o Hospital Modular de Nova Iguaçu e o de Duque de Caxias. Dessas unidades, apenas o de Nova Iguaçu foi aberto ontem, mas com a metade ainda da capacidade.

Em uma série de declarações, o prefeito Eduardo Paes tem dito que a procura de atendimento por Covid-19 vem gerando um esforço extra nas emergências da capital. Mas que não pode rejeitar pacientes. O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, complementa.

— A gente trabalha de forma integrada . E tentamos fazer a divisão de custos de operação. Seguimos a regra do SUS.

O prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, argumenta que o Rio sempre foi dotado de melhor infraestrutura de Saúde. Mas que não pode atribuir o problemas apenas à falta de vagas nas cidades. Este ano, 79 pacientes de Nova Iguaçu já foram internados em UTIs Covid da capital.

 

Fonte: https://oglobo.globo.com/rio/covid-19-quase-400-internados-pelo-sus-na-cidade-do-rio-vem-de-outras-regioes-24954914

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