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Covid-19: por que se vacinar?

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Por Juliana Temporal

 

Por ser altamente contagiosa, a Covid-19 infecta rapidamente um grande número de pessoas, como está acontecendo no mundo todo. É verdade que a menor parte dos infectados desenvolve o quadro grave da doença. No entanto, como ninguém sabe de que forma a doença vai acometer o organismo – podendo ter sintomas leves ou graves, ser fatal, ou até mesmo assintomático -, o mais importante é se proteger. Para a Dra. Flávia Bravo, Presidente da Regional RJ da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), há dois motivos para a população se vacinar contra a Covid-19: a proteção individual e a coletiva.

– A individual é para preservar a saúde de cada um do risco de se contagiar com uma doença grave com evolução fatal, e evitar a sobrecarga do sistema de saúde, seja público ou privado. Do ponto de vista da proteção coletiva, com a vacinação, haverá o controle da Covid-19. É preciso ter grandes coberturas para que se consiga reduzir a circulação do vírus e, com isso, realmente vencer a doença. Enquanto não estiver todo mundo ou grande parcela da população vacinada, o vírus vai se manter circulante, vírus este que ainda apresenta mutações com variantes detectadas com maior poder de infecção, ou seja, que contagiam mais – afirmou.

Se queremos, continuou a especialista, voltar a uma vida normal ou perto da normalidade, que possamos recuperar nossa atividade econômica, a liberdade de ir e vir, sem nos preocupar com todas as medidas de prevenção – máscara, higienização e distanciamento -, é necessária uma proteção coletiva.

– Não adianta eu estar protegido, somente eu, se há uma pandemia que está corroendo a estrutura econômica e social do nosso país – frisou.

De acordo com a especialista, a rigor, as duas vacinas disponíveis do Brasil – Coronavac e a de Oxford/AstraZeneca – só são contraindicadas para quem tiver alergia grave, como anafilaxia, à primeira dose dessas mesmas vacinas ou alergia a algum componente delas. Em caso de dúvida, é recomendável que o paciente converse com o seu médico para avaliar se, no caso dele, existe alguma contraindicação.

– As vacinas são inativadas. Elas são mortas, incapazes de causar doenças. Elas não causam nenhum risco de modificação genética, de replicação dentro do organismo. Elas só vão estimular o nosso sistema imune a produzir defesas – comentou.

No entanto, acrescentou Dra. Flávia Bravo, é possível adoecer de Covid-19, apesar de ter tomado a vacina, pois essas vacinas não são – e nenhuma vacina é – 100% eficazes. Isso significa dizer que não são 100% da população que ficam protegidas.

– Segundo dados dos laboratórios, aparentemente, se você pegar a doença mesmo depois de vacinado, vai desenvolver formas leves ou formas assintomáticos que nem precisarão de atendimento médico. Será possível se tratar em casa, sem necessitar de hospitalização ou correr risco de morte – explicou.

Em relação à segurança das vacinas, a especialista ressaltou que os estudos começam nas fases iniciais – fases 1 e 2 –  quando se verifica segurança e imunogenicidade, ou seja, a capacidade de provocar resposta imune,  produção de anticorpos. A tecnologia usada nas vacinas hoje contra a Covid-19 já vinha sendo pesquisada anteriormente. Não é uma tecnologia nova inventada por conta da doença, são plataformas conhecidas e já bastante estudadas.  Os estudos de fase 3 são os que dão mais respostas a respeito da eficácia. São apresentados os resultados preliminares, em média de 3 meses de observação, comparando grupos que são vacinados, com grupos que receberam placebo ou outra substância. Compara-se nessas duas populações qual a incidência da doença e se verifica a eficácia da vacina.

– Esses resultados preliminares permitiram a aprovação para uso emergencial das vacinas, o que é importante agora para controlar a grande crise sanitária de todos os países, que afeta não só a saúde, mas todas as áreas das nossas vidas. Os estudos continuam em andamento e é muito provável que tenhamos boas surpresas, até de melhor eficácia, pois teremos o impacto da aplicação das vacinas em grandes populações, na vida real, com exposição variada ao vírus, pessoas de idades diferentes, com presença ou não de comorbidades – enfatizou.

Muito tem se discutido sobre a obrigatoriedade da vacina contra Covid-19. A Dra. Flávia Bravo afirmou que, de um modo geral, não gosta de nada que seja obrigatório, mas é necessário que as autoridades de saúde entendam que esse é um problema que passa além da decisão individual. A Covid-19 é um problema de saúde pública, que se reflete em todas as nossas áreas de vivência e de sobrevivência, e que é preciso pesar até que ponto se pode obrigar diretamente ou impor algumas condições, nas quais o não vacinar possa impedir certas atividades ou decisões daquele cidadão que optar por não vacinar.

– O mais importante seria organizar uma campanha de comunicação, em que as informações verdadeiras, corretas e científicas sobre segurança cheguem até a população. O medo é que levanta essa questão da obrigatoriedade. Se eu confio, não preciso ser obrigado a fazer isso ou aquilo. Então, acho que passa antes por uma educação, uma informação, uma comunicação correta e clara que atinja todas as camadas sociais e intelectuais. Também é necessário que se tome atitudes que resultem em uma limitação dessa circulação de fake news e de má informação que encontramos na internet – considerou.

Fundamental ainda, continuou a médica, é o exemplo. E ele tem que vir dos nossos governantes. Enquanto tivermos qualquer dúvida da esfera federal, do nosso governante maior discutindo a validade da vacinação, se as vacinas são seguras ou não, levantando questões que não são verdadeiras, não vamos conseguir aliviar a mensagem que é passada. Acredito que se deve encarar a situação com seriedade, valorizar e transmitir o que é científico e o que é realmente verdadeiro.

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