Opinião

Covid-19 e leitos hospitalares públicos e privados

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*Dr. Angelo de Souza, membro do Observatório da Saúde, Medicina Ocupacional e Inspetor de Armas Biológicas pela UNSCOM\ONU 1979                                                                       

Em tempos de crise como a atual da Covid-19, a primeira coisa que morre é a racionalidade, decisões acabam sendo tomadas com os impulsos mais primitivos. Tudo que precisamos nessa, e em qualquer crise, são escolhas racionais. Para isso, vamos às perguntas que temos de fazer para resolver os problemas:

1. Temos leitos suficientes para atender todos os casos? A resposta é que temos apenas se atrasarmos a velocidade de disseminação da doença.

2. Os leitos públicos serão suficientes? Os leitos da iniciativa privada serão suficientes? As respostas virão em conjunto com a terceira pergunta.

3. Como regular os leitos públicos e privados de forma o mais racional possível para salvarmos o maior número de pessoas com um mínimo de sequelas?

Saúde é o bem estar físico, mental e social. Social é claro, o ser humano é bem mais frágil que um tigre e só pela sua inteligência e capacidade de atuar em conjunto construímos armas que matam tigres e até vírus que sequer vemos sem um microscópio eletrônico.

A sociedade brasileira construiu o SUS que é uma obra-prima, mas tem com defeitos, uma vez que é humana e precisa de correções para se aproximar da perfeição. Junto, surgiu o crescimento vertiginoso da iniciativa privada na saúde, visando à possibilidade de lucro. Uma situação progressivamente se impôs. Desmontamos nosso sistema público de saúde e o sistema privado cresceu ocupando o espaço deixado. Numa guerra, um país se defende não apenas com suas Forças Armadas, mas com todas as suas forças e os militares apenas aconselham e fornecem as soluções para a Sociedade, com letra maiúscula, encontre as soluções e vença a guerra.

Na guerra contra o coronavírus precisamos que médicos, enfermeiros, biólogos, fisioterapeutas, motoristas, políticos, industriais, operários isto é todos de todas as formas colaborem e atuem para vencer. Temos o Projeto de Lei nº 667, de 2020, tramitando no Congresso, que reserva 50% dos leitos da iniciativa privada para o SUS. Esse PL pode não ser perfeito, mas é uma solução muito boa. Como destruímos o SUS visando ao lucro apenas e não à saúde, devemos agora evitar destruir o que sobrou. E o que sobrou foram os médicos e profissionais de saúde que migraram em massa para o sistema privado, em função da destruição do sistema público levado a cabo nos últimos anos.

A solução é reconstruir o sistema público sem destruir o suplementar, ou seja, o privado. A construção de hospitais de campanha em estádios de futebol é uma solução efetiva. Não é o suficiente. A quarentena é uma solução, mas não a única. Atrasar a contaminação é fundamental, pois toda gripe atinge toda a população sempre. Sempre, porque quando acontece uma mutação no vírus, ninguém tem imunidade contra ele. E mutações acontecem e aconteceu. Todos, profissionais de saúde ou não, porque o vírus afeta todos, pobres ou ricos, e precisamos de soluções inteligentes e até de auto-sacrifício algumas vezes. Se houver uma corrida pelos recursos, como uma manada de bois, acabaremos no precipício e não na vida que irá continuar após a epidemia.

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