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Coronavírus no esgoto pode ser ‘ameaça’, indica estudo

Pesquisadores se dizem preocupados, mas não sabem em definitivo se presença do vírus seria suficiente para infectar pessoas. No Brasil, 46,8% da população não têm acesso à rede de esgoto

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O Globo On-Line – Publicado em 27/08/2020
Foto: Marcia Foletto / Agência O Globo

RIO — Um novo estudo publicado na revista Nature Sustainability afirma que a presença do novo coronavírus em esgoto pode ser uma “séria ameaça”. O trabalho avaliou estudos recentes sobre a presença de coronavírus em esgoto, não só pelo causador da Covid-19, mas também de epidemias anteriores, como Sars e Mers, para avaliar ameaças potenciais, caminhos de pesquisa e possíveis soluções.

O estudo foi feito por pesquisadores do Instituto Zuckerberg para Pesquisa da Água da Universidade Ben-Gurion do Negev, em Israel. A pesquisa é o resultado de um esforço global para estudar o coronavírus por meio do esgoto e contou com a colaboração de 35 pesquisadores de diferentes instituições e países como Universidade de Yale e várias outras faculdades dos EUA, França, Alemanha, Espanha, Itália, Suíça, Irlanda e China. 

“Há muitas razões para nos preocuparmos com quanto tempo os coronavírus sobrevivem nos esgotos e como isso afeta as fontes naturais de água”, disse o autor principal, Edo Bar-Zeev, do Instituto BGU Zuckerberg. “Os esgotos podem conter coronavírus suficientes para infectar as pessoas? A verdade é que não sabemos o suficiente, e isso precisa ser corrigido o mais rápido possível.”

De acordo com uma das autoras do estudo, Anne Bogler, em entrevista ao GLOBO, serão necessários mais alguns “meses para que dados suficientes sejam coletados e analisados. Ela diz também que ainda não há pesquisas sobre a disseminação do coronavírus em sistemas de esgoto de países em desenvolvimento, mas que a situação deve ser ainda mais grave. No Brasil, 46,8% da população não têm acesso à rede de esgoto.

— O foco de nossa revisão foi países desenvolvidos com sistemas de esgoto e estações de tratamento centralizadas. Assumimos, com base nos dados de países desenvolvidos e na experiência com outras doenças transmitidas por bactérias ou vírus, que a probabilidade de disseminação por meio de águas residuais em países em desenvolvimento pode ser maior. A coleta e o tratamento de águas residuais são menos confiáveis nos países em desenvolvimento e o contato das pessoas com as águas residuais é mais frequente, portanto, as chances de transmissão devem ser maiores.

Bar-Zeev e outros pesquisadores indicam que o vazamento de esgoto em águas naturais pode levar à infecção ao liberar gotículas aerosol. Da mesma forma, esgotos tratados usados para abastecer instalações de água recreativas, como lagos e rios, também podem se tornar fontes de contágio. Por último, frutas e vegetais irrigados com águas residuais que não foram devidamente desinfetadas também podem ser uma rota de contágio indireto.

A equipe de pesquisa recomenda que sejam feitas novas pesquisas imediatamente para determinar o potencial perigo de infecção e, se houver, quanto tempo os coronavírus sobrevivem.

“As estações de tratamento de águas residuais precisam atualizar seus protocolos de tratamento e, em um futuro próximo, também avançar em direção ao tratamento terciário por meio de membranas de micro e ultrafiltração, que removam vírus com sucesso”, diz Bar-Zeev.

Ao mesmo tempo, o esgoto pode servir para rastrear surtos de Covid-19. Os coronavírus começam a aparecer nas fezes antes que outros sintomas, como febres e tosses, apareçam em pessoas assintomáticas. O monitoramento regular, portanto, pode dar às autoridades um aviso prévio de pontos críticos.

 

Fonte: https://oglobo.globo.com/sociedade/coronavirus/coronavirus-no-esgoto-pode-ser-ameaca-indica-estudo-1-24607298

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