Notícias

Como diagnosticar, prevenir e tratar a osteoporose

A polêmica do medicamento Prolia

shutterstock_711299782-920×420

Médica explica que entre os principais grupos de risco para a osteoporose estão mulheres a partir da menopausa e homens com mais de 65 anos.

Por Maylaine Nierg

Doença silenciosa, caracterizada pela fragilidade dos ossos, a osteoporose atinge cerca de 10 milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde. A condição pode causar lesões ósseas ao menor impacto, como queda da própria altura. Os locais mais comuns para os as fraturas são as vértebras, o que pode resultar em diminuição da estatura. Geralmente, os traumas são o primeiro passo para o diagnóstico.

A médica Maria Lucia Fleiuss, professora de Endocrinologia da UFRJ, descreve que a osteoporose é mais comum em alguns públicos específicos. A especialista assinala que entre os grupos de maior incidência estão mulheres na fase pós-menopausa; homens após os 65 anos; pacientes com artrite reumatoide e que usam corticoide para controle de doença crônicas e pacientes que necessitam bloquear a produção de hormônios sexuais, como os que estão em tratamento do câncer de mama ou câncer de próstata.

Ainda segundo a médica, o alcoolismo também aumenta as chances de surgimento da osteoporose. Isso ocorre porque quantidades excessivas de álcool, em longo prazo, causam disfunções no organismo que podem influenciar o surgimento da doença. Entre os distúrbios causados pelo álcool estão hipocalcemia (nível baixo de potássio no sangue, hipomagnesemia (deficiência de magnésio no sangue) e hipoparatireodismo (diminuição ou ausência da secreção das glândulas paratireóides).

Prevenção

A idade avançada é considerada um dos principais fatores de risco da osteoporose, porém a prevenção contra esse problema deve começar ainda na infância. Ingestão de cálcio, através de leite e seus derivados, e a prática de esportes ou outros exercícios físicos ajudam a manter os ossos mais fortes. Porém existem ainda outros métodos mais específicos que evitam o surgimento ou avanço da doença.

“Nas mulheres, a reposição de hormônios femininos iniciada nos primeiros dez anos após a menopausa previne a perda óssea, e pode ser mantida por longo prazo, com supervisão. O diagnóstico precoce através de um exame chamado densitometria óssea é ideal, pois mostra o grau de comprometimento dos ossos, possibilitando o tratamento antes da fratura”, ressalta a professora Fleiuss.

A endocrinologista alerta ainda para o fato de que, para o paciente que já foi diagnosticado com osteoporose e sofreu alguma lesão óssea, é fundamental evitar a refratura. Ela esclarece que “o risco de fraturar novamente no ano subsequente a uma fratura osteoporótica é enorme, e a abordagem inclui prevenção de quedas, correção da eventual deficiência de vitamina D, além de medicamentos específicos como os anti-reabsortivos”.

Tratamento e a polêmica do medicamento Prolia

Um dos tratamentos mais indicados por especialistas para o controle da osteoporose é o medicamento Prolia, também conhecido como Denosumab. O medicamento é recomendado especialmente para o tratamento de mulheres que desenvolveram a doença após a menopausa. Porém, há casos raros em que o uso do medicamento foi associado à osteonecrose da mandíbula (morte de uma região do osso).

Fleiuss esclarece que esses eventos de necrose da mandíbula não estão diretamente relacionados com o Denosumab, mas que envolve outras situações referentes à saúde do paciente. Para ela, os medicamentos anti-reabsortivos, como o Denosumab, são uma excelente opção terapêutica.

“O Denosumab é um potente inibidor da reabsorção, levando ao aumento crescente da densidade óssea e reduzindo o risco de fraturas em todos os sítios. Em raros casos essa redução da renovação óssea pode comprometer a recuperação do osso da mandíbula após extração ou implante dentário. A “osteonecrose” não tem relação com o tempo de uso do Denosumab, mas é mais frequente em pacientes diabéticos e naqueles usando corticóide ou quimioterapia para doenças malignas. Por outro lado, o número de fraturas prevenidas excede em muito o número de complicações”, enfatiza a médica.

Termos relacionados

Osteopenia

A osteopenia é um patologia pouca mais branda que a osteoporose, que consiste na perda precoce da densidade óssea, tornando-os mais fracos. Porém, se não tratada de forma adequada, ela pode evoluir para a osteoporose.

Osteoblastos

Osteoblastos são células envolvidas na formação do tecido ósseo. Eles estão ligados ao armazenamento e regulação de sais minerais, e também atuam na proteção de estruturas vitais.

Osteoclastos

Células que compõem a matriz óssea, os osteoclastos são oriundos da medula óssea, e são consideradas as maiores células envolvidas na reabsorção e remodelagem do tecido ósseo.

3 comentários em "Como diagnosticar, prevenir e tratar a osteoporose"

  1. Excelente artigo , parabéns à Dra Maria Lúcia Fleuiss e também à capacidade de síntese da Maylane , lucramos todos com a abordagem deste assunto .

  2. Marcio Meirelles disse:

    Muito esclarecedora a exposição da Dra. Maria Lucia Fleiuss, sobretudo quanto à suposta relação entre o uso do Denosumab e o eventual aparecimento de necrose óssea.

  3. Dalva Santos disse:

    nossa, bem interessante o texto, aprendi muito sobre osteoporose ( essa doença silenciosa ) nesse site https://www.reumatocare.com.br/osteoporose.html

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *