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Casos de sífilis no Brasil crescem mais de 2.000% em seis anos

Número passou de de 3.822, em 2010, para 87.593, em 2016

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Por Tatyane Mendes*
O Globo – 31/10/2017

BRASÍLIA — Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que o número de casos de sífilis em adultos cresceu de 3.822, em 2010, para 87.593, em 2016, o que representa um aumento de mais de 2.000%. O aumento de casos se deve, em parte, a um desabastecimento global de um insumo farmacêutico ativo utilizado na produção da penicilina.

A escassez data desde de junho de 2014 e chegou a causar uma epidemia da doença no Brasil em 2016. A taxa de mortalidade nacional da doença é de 6,8, sendo maior no Nordeste (7,7) e menor no Centro-Oeste (4,4). O objetivo é diminuir para 0,5 ou menos, segundo recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Adele Schwartz, diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis do Ministério da Saúde, explicou que o aumento se deve à maior cobertura de testagem, sendo possível identificar mais casos, não necessariamente um aumento da disseminação da doença. Ela acrescentou que a população ainda se preocupa pouco com a doença, que pode trazer consequências graves, e que o problema é de escala global.

— Isso demonstra uma melhora no diagnóstico e na expertise, não uma falha de prevenção — complementou Antônio Carlos Nardi, secretário executivo do Ministério da Saúde.

A projeção para 2017 é a identificação de 94.460 casos. Contudo, a maior preocupação do órgão é com as gestantes. Em 2016, foram encontrados 20.474 casos de sífilis congênita, quando a doença passa da mãe para o bebê, número quase três vezes maior do que o de 2010, de 6.946. Para 2017, a projeção é de queda com 17.818 casos.

O crescimento de sífilis em gestantes também aumentou cerca de três vezes entre 2010 e 2016, indo de 10.040 a 37.436 casos. A previsão é que o número diminua para 30.470 em 2017. O Ministério da Saúde quer fortalecer a prevenção nas grávidas para diminuir a propagação da doença.

— Nossa preocupação é com a sífilis gestacional, mas também uma preocupação da população com proteção contra doenças sexualmente transmissíveis — apontou Humberto Costa, secretário de Estado da Saúde no Distrito Federal.

Até setembro deste ano, o Ministério da Saúde distribuiu 6,3 milhões de testes, sendo que em 2016 o número total foi de 4,7 milhões. No ano passado, 37% das grávidas com a doença foram diagnosticadas no primeiro trimestre da gravidez, um aumento de 15% em relação à 2015.

— A situação da sífilis do Brasil está controlada por que temos o medicamento para o tratamento. Os números não são os que gostaríamos, mas temos todas as condições de reduzir os índices e controlar a doença — afirmou o ministro da Saúde, Ricardo Barros.

Para tentar amenizar o cenário, o Ministério da Saúde lançou uma campanha de combate à sífilis, nos quais cerca de 100 municípios, que concentram cerca de 60% dos casos, incluindo 14 cidades do Rio de Janeiro, receberão reforços de R$ 200 milhões para prevenção da doença.

O objetivo é aumentar o número de testes para identificar a doença e o número de comitês de investigação de transmissão, além de fortalecer a estrutura de salas de monitoramento em hospitais e postos de saúde e implementar linhas de cuidado. O ministério também comprou 2,5 milhões de frascos de penicilina benzatina, usada no tratamento da sífilis, e 450 mil frascos de penicilina cristalina.

*(Estagiária, sob supervisão de Paulo Celso Pereira)

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