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Cartilha dá dicas para evitar acidentes domésticos infantis em comunidades

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Por Maylaine Nierg

“A criança de hoje é o adulto de amanhã”. Essa é uma frase que quase todo mundo já deve ter escutado. De fato, cuidar das crianças é investir no futuro. Quando se trata daquelas que residem em comunidades carentes, ou em locais de baixa renda de modo geral, há uma maior exposição à riscos de acidentes, tanto no ambiente externo, quanto dentro de casa. 

Pensando na necessidade de atentar para esse público, o Observatório da Saúde lançou uma cartilha com instruções para prevenir acidentes domésticos entre os pequeninos que vivem nessas comunidades. 

A cartilha “Acidentes domésticos: conhecer para prevenir”, terminou de ser elaborada no final de dezembro de 2019 e deverá ser lançada no início de 2020. A publicação é voltada para famílias que residem em locais de baixa renda, e possui instruções sobre os mais variados tipos de acidentes cuja prevalência é alta entre as crianças, e sobre como evitar que essas situações ocorram. 

Embora o foco maior seja nas comunidades, as recomendações podem ser aplicadas na realidade do público infantil de maneira geral, independente do contexto geográfico e social.

Além de listar as principais situações que podem expor as crianças a eventuais acidentes, a publicação também inclui dicas de primeiros socorros em situações como quedas, traumas na cabeça, queimaduras, afogamentos, intoxicações, envenenamento, engasgo, cortes, entre outros. 

O manual foi elaborado sob a coordenação dos médicos responsáveis pelo Observatório da Saúde, Luiz Roberto Londres e Marcio Meirelles; e contou ainda com a consultoria do médico pediatra  Guilherme Sargentelli, que hoje atua na pediatria do Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.

“Achei fantástica a iniciativa do Observatório em criar essa cartilha. Já há muitos anos que se discute com a Sociedade de Pediatria a questão de prevenção à acidentes domésticos. Especialmente porque há uma alta prevalência do número de crianças que são encaminhadas para unidades de emergência devido à esse tipo de acidentes.”, afirma Sargentelli.

Acidentes por quedas são os mais frequentes

O pediatra destaca também que entre os principais acidentes domésticos ocorridos entre as crianças estão os traumas provocados por quedas, as queimaduras e os acidentes com animais domésticos. Ele afirma que através de uma pesquisa que está sendo elaborada por especialistas do hospital Lourenço Jorge, já é possível constatar que o maior número de casos de traumatismo craniano entre crianças de todas as faixas-etárias é referente à quedas. 

Sargentelli cita como exemplo os casos de bebês que vão parar na emergência porque caíram da cama e bateram com a cabeça. O que, segundo ele, é algo que é registrado no hospital com bastante frequência. 

Na cartilha do Observatório também são citados outros exemplos de risco de queda como a possibilidade de a criança se pendurar em móveis e subir e descer de escadas.

O que as autoridades públicas podem fazer 

No âmbito da responsabilidade das autoridades públicas com as crianças que vivem em comunidade carentes, o médico afirma que é preciso intervir haver um compromisso real em proporcionar às crianças um ambiente mais seguro. 

“Acredito que o que as autoridades podem fazer é investir nessas comunidades, no sentido de melhorar a infraestrutura desses lugares. Deve-se proporcionar maior segurança no que se refere a instalações elétricas adequadas, no reforço da segurança pública e também no acesso à educação. Não há como falar sobre saúde sem falar em educação, porque o conhecimento ajuda a promover e expandir uma cultura de saúde”, enfatiza. 

Criança precisa de atenção e acompanhamento constantes

Em locais de baixa-renda é muito comum os casos de pais que saem para trabalhar e deixam os filhos menores com os irmãos mais velhos. Existem ainda aquelas com idades de 8 a 10 anos que ficam sozinhas, e acabam tendo que desenvolver uma independência. 

Guilherme enfatiza que criança precisa ser acompanhada por um responsável, e que esse monitoramento deve ser mantido em todos os momentos. 

A dica mais importante é entender que a criança não tem que ter vida de adulto. A criança tem que ter direito a estudar e a brincar, e tem que ter proteção. Acompanha-la em suas diferentes faixas-etárias é sempre fundamental e importantíssimo, e estar do lado dela é talvez a dica mais importante para minimizar essa alta prevalência de acidentes domésticos”, conclui o especialista.

Dr. Marcos Meirelles enfatiza que “prevenir é sempre melhor que remediar”, e explica que esse é o lema e a missão do Observatório da Saúde. Ele ressalta que a expectativa é que essa cartilha ajude a proporcionar um ambiente mais seguro e mais feliz para as crianças que residem nessas comunidades. 

Se interessou? Clique aqui e veja a cartilha!

Um comentário em "Cartilha dá dicas para evitar acidentes domésticos infantis em comunidades"

  1. Meire Cristine Ferreira de Souza disse:

    Uma nobre contribuição! Tenho certeza que será um importante orientador para as familias! Prevenção se faz com informação! Parabéns ao Observatório da Saúde!

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