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Câncer de mama: se diagnosticado em estágio inicial, as chances de cura chegam a 95%

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Fernanda Machado (estagiária)*

 

O Outubro Rosa é definido pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) como um movimento internacional de conscientização e controle do câncer de mama, criado no início da década de 90, pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. Durante todo o mês, são promovidas ações para discutir sobre a doença, mutirões de exames, eventos técnicos e debates, além da produção de materiais e outros recursos educativos para disseminar informações sobre prevenção e detecção precoce do câncer de mama.

De acordo com o Dr. Marco Dugatto, membro da Sociedade Brasileira de Mastologia, em 2019, foram estimados 59.700 casos novos, o que representa uma taxa de incidência de 51,29 casos por 100 mil mulheres. A única região do país em que o câncer de mama não é o mais comum entre as mulheres é a Norte, onde o de colo de útero ocupa a primeira posição. O médico ainda completou declarando que, infelizmente, ao longo dos anos essa taxa só aumenta, devido à falta de informação, acesso e o medo das pacientes.

– É importante alertar que quanto mais cedo o câncer de mama for detectado, mais fácil será curá-lo. Se no momento do diagnóstico o tumor tiver menos de 1 centímetro (estágio inicial), as chances de cura chegam a 95%. Além disso, existem duas formas de prevenir o aparecimento da doença: a primária e a secundária. A primária engloba a prática de atividades física, o controle de peso, boa alimentação e diminuição do consumo de álcool. Já a secundária diz respeito aos exames de rastreamento, principalmente a mamografia, e o complemento com ultrassom de mamas e ressonância (se indicado) – expôs o especialista.

Além do já conhecido sintoma caracterizado pelo caroço na lateral do seio percebido durante o toque, outros sinais devem servir de alerta, como alteração nos mamilos (retrações, ferida, sangramentos), alteração do volume mamário (assimetrias), retrações na pele (aspecto de casca de laranja) e lesões já ulceradas (feridas abertas e sangrentas).

Recentemente, o Inca deixou de estimular o autoexame como medida de detecção. Segundo o Dr. Marco Dugatto, isso aconteceu porque houve uma melhora nos programas de rastreamento e de saúde voltados para a prevenção e também na qualidade dos exames de imagem.

– O exame de toque passou a ser desestimulado também pela dificuldade das pacientes em localizar tumores pequenos (1 cm), o que muda todo o prognóstico quando detectamos acima deste tamanho. Além disso, há uma terceirização de responsabilidade ao imputar na paciente a obrigação de detectar nódulos. Estima-se que aproximadamente 40% dos nódulos perceptíveis pelas pacientes já tinham 3 ou mais cm de tamanho – esclareceu.

O tratamento dependerá do tipo de câncer. A conduta habitual consiste em cirurgia, que pode ser conservadora, com retirada apenas do tumor, ou mastectomia, com retirada da mama e reconstrução mamária. Pacientes com tumores maiores, porém ainda localizáveis, enquadram-se no estádio III. Nessa situação, o tratamento sistêmico (na maioria das vezes, com quimioterapia) é a modalidade terapêutica inicial. Após resposta adequada, segue-se com o tratamento local (cirurgia e radioterapia).

Durante o tratamento, o suporte da família é uma base essencial. Ao longo desse processo é essencial cuidar não só da saúde, mas também das relações. Uma paciente com boa sustentação e amparo familiar, tende a se sentir mais motivada para seguir com o tratamento. Carinho e atenção são os primeiros cuidados que as pessoas próximas devem ter.

A segunda forma de ajudar é buscar informações sobre a doença e os direitos da paciente, se inteirar juntamente com os médicos sobre os tratamentos disponíveis, as possibilidades de cura e desmistificar a doença.

Quanto mais informações se tem sobre o câncer de mama, menos assustador ele parece.

 

A campanha Outubro Rosa

Para o Dr. Marco Dugatto, a campanha é fundamental e engloba diversos fatores. Primeiro, é preciso iniciar com a conscientização. As mulheres devem se tocar para conhecer suas mamas, fazer a mamografia anualmente a partir dos 40 anos e alertar outras mulheres sobre a doença.

Além disso, de acordo com o médico, realizar doações para instituições que se solidarizam e se dedicam ao tema também é uma boa opção.

– Doações de cabelo, por exemplo, podem fazer a vida de mulheres que estavam se sentindo feias, devido à queda de cabelo, muito mais felizes. Também é importante compartilhar mensagens de apoio sobre o mês – orientou.

Esse ano, devido à pandemia do novo coronavírus, a maioria das ações relacionadas à data será on-line. Na Sociedade Brasileira de Mastologia, cada regional atuará de forma efetiva para que essa data não passe em branco e, assim, seja possível conscientizar mais mulheres sobre a importância da campanha.

 

Sob a supervisão de Juliana Temporal

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