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Atendimento médico nos Jogos, uma questão urgente

É preciso simular situações complexas de atendimento, e não adianta publicar decretos ou normas sem que haja treinamento intenso

Opaís que olha para o futuro, ainda em meio ao desgastante processo de impeachment, é obrigado a se deparar com problemas históricos a serem enfrentados a curto prazo — como as reformas da Previdência, política e tributária — e questões de ocasião que, da mesma forma, não podem esperar nem mais um segundo. Neste caso está a estrutura de assistência médica para as Olimpíadas, em agosto, um evento da cidade, mas de caráter nacional, visto que o Rio é um emblema do Brasil, e não apenas os interesses locais estarão em jogo.

Como de costume, a versão oficial busca tranquilizar a população, garantindo que houve preparação, conforme a reportagem “Saúde nos Jogos: médicos cobram ações”, publicada no GLOBO domingo passado. Os organizadores dizem que serão contratados temporários, proibidas férias durante os Jogos, ainda anunciam obras e a chegada de novas ambulâncias.

Mas o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) e profissionais da área estão preocupados com estoques de sangue insuficientes, falta de treinamento, equipes incompletas e superlotação nos hospitais.

Integrante da Câmara Técnica de Segurança do Paciente do Conselho Federal de Medicina, o cirurgião Alfredo Guarischi alerta que é preciso simular situações complexas de atendimento e que não adianta publicar decretos ou normas sem haver treinamento intenso. E acrescenta que haverá um significativo aumento da demanda por atendimento, pois teremos mais gente na cidade e, consequentemente, mais acidentes de trânsito e doenças.

O Cremerj vistoriou recentemente o Hospital Lourenço Jorge, na Barra, e encontrou condições lastimáveis: havia pacientes em corredores, faltavam leitos, bolsas de sangue, medicamentos e profissionais.

A unidade é um dos cinco hospitais de referência para transferência de espectadores em instalações olímpicas e também a mais próxima de boa parte dos locais de competição.

Segundo Guarischi, a maioria das equipes de pronto-socorro não tem profissionais suficientes em número e experiência em medicina de urgência e trauma. E é inadmissível haver um minuto de dúvida sequer quanto ao que fazer, já que uma das possibilidades para as quais é preciso estar preparado é uma ação terrorista — algo imprevisível, mas que pode ter o seu impacto amenizado.

Nos atentados de Paris em 13 de novembro, a mortalidade foi baixa entre os mais de 300 feridos devido a um plano de gerenciamento de crise capaz de coordenar 40 hospitais, 100 mil profissionais de saúde, 22 mil leitos hospitalares e 200 salas de cirurgia.

Da mesma forma, o Rio precisa saber como agir rapidamente em qualquer hipótese, para que nada estrague o evento.

 

Fonte: O Globo – 15/05/2016

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