Giselle Felix

Programa Saúde do Futuro

Por Giselle Felix

Aprovação das Insulinas de ação prolongada no SUS

Giselle Felix
Fisioterapeuta

O gerenciamento do diabetes passou por uma transformação radical nos últimos anos devido à tecnologia: a comunidade de pacientes com diabetes encontrou uma voz forte on-line, monitores contínuos de glicose como biosensores estão tomando o lugar de picadas nos dedos, adesivos digitais e bombas de insulina tornam a dosagem de insulina mais previsível e dispositivos conectados prometem a era do pâncreas artificial em breve.

Essa busca por proporcionar melhoria na qualidade de vida das pessoas com diabetes tem pressa, visto que a doença continua afetando a vida de milhões em todo o mundo. De acordo com as estimativas mais recentes da Federação Internacional de Diabetes, 425 milhões de pessoas em todo o mundo, dentre elas, 13 milhões de brasileiros, sofrem de diabetes – e o número está crescendo constantemente. Isso significa que uma em cada onze pessoas deve gerenciar a condição crônica diariamente, o que pode levar a derrame, cegueira, ataque cardíaco, insuficiência renal ou amputação. De uma maneira ainda mais inquietante, espera-se que o número suba para 629 milhões em 2045. Os especialistas consideram que o Diabetes tipo 2 será a próxima epidemia global, pelo número de novos casos e a dificuldade no controle da doença em uma parcela dos pacientes. Uma pesquisa do Ministério da Saúde indicou que entre os anos de 2006 e 2016 foi registrado um aumento de 61,8% nos casos de diabetes no país. Em paralelo, o número de casos de obesidade cresceu 60%.

Felizmente, mais e mais empresas de tecnologia para diabetes estão trabalhando no fornecimento de soluções para facilitar a luta cotidiana com a condição. E a comunidade de diabetes, um dos grupos mais ativos de pessoas on-line, também está pressionando para tornar o gerenciamento da doença mais simples, mais fácil e mais eficiente. Nos últimos 3 a 5 anos, grandes empresas médicas reconheceram o potencial dos dispositivos de saúde conectados e começaram a desenvolver o pâncreas artificial, enquanto as empresas de saúde digital introduziram produtos para os pacientes, para que pudessem usar adesivos digitais e seus smartphones em vez de ter que picar o dedo para monitorar a glicose no sangue, com uma base de usuários em constante crescimento. Então, temos esperança de que podemos esperar grandes avanços em termos de soluções para esse probema nos próximos 5 a 10 anos.

Cidadãos brasileiros atendidos pelo SUS também estão prestes a se beneficiar de avanços no tratamento. Foi publicada no Diário Oficial da União, a Portaria nº 19 de 27 de março de 2019 do Ministério da Saúde, que torna pública a decisão de incorporar insulina análoga prolongada para o tratamento de diabetes mellitus tipo I no Sistema Único de Saúde (SUS). A portaria é um grande passo para a melhora da assistência aos pacientes com diabetes no Brasil, para aperfeiçoar as terapias existentes e ampliar o acesso aos tratamentos disponíveis.

Apesar da incorporação, há, ainda, um longo caminho a ser percorrido. A distribuição das insulinas análogas de ação prolongada está, de acordo com a portaria, condicionada ao custo de tratamento igual ou inferior ao da insulina NPH na apresentação de tubete com sistema aplicador e mediante protocolo estabelecido pelo Ministério da Saúde, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS. Está aberta, até hoje, 16 de setembro,  a consulta pública sobre a proposta de atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) para Diabetes Mellitus I (DMI). Nessa última versão está incluída no documento a insulina análoga de ação prolongada, alternativa terapêutica incorporada ao SUS em março desse ano. Para participar, o formulário eletrônico encontra-se disponível no site da CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema ùnico de Saúde): http://conitec.gov.br/consultas-publicas

Referências:

Sociedade Brasileira de Diabetes: Aprovação das Insulinas de ação prolongada no SUS: mais uma vitória para o tratamento das pessoas com diabetes no Brasil. https://www.diabetes.org.br/publico/palavra-da-presidente/1969-aprovacao-das-insulinas-de-acao-prolongada-no-sus-mais-uma-vitoria-para-o-tratamento-das-pessoas-com-diabetes-no-brasil

DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO: PORTARIA Nº 19, DE 27 DE MARÇO DE 2019: http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/69182847

Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica: Brasil registra aumento de 60% no número de diabéticos e de obesos em 10 anos. https://www.sbcbm.org.br/brasil-registra-aumento-de-60-no-numero-de-diabeticos-e-de-obesos-em-10-anos/

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