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Apneia do sono atinge 49 milhões de pessoas no Brasil

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Por Fernanda Machado (estagiária)*

 

A apneia do sono é um distúrbio grave caracterizado por paradas de fluxo respiratório durante o sono, podendo ser de origem central (defeito no comando cerebral) ou de origem obstrutiva (Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono – SAOS), que é o tipo mais comum.

Dr. Marcos Sarvat, Coordenador de Campanhas na Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, explicou o que acontece no corpo durante a apneia, indicando por que ela é tão perigosa.

— Ocorre um bloqueio (parcial ou total) da passagem de ar, que piora quando o sono se aprofunda e relaxa a musculatura da garganta. Cai o nível de oxigênio no organismo, aumentando a concentração de gás carbônico e provocando despertares conscientes ou inconscientes. Com isso, a musculatura restabelece o tônus e o fluxo se normaliza novamente até um novo relaxamento. Esse ciclo vai se repetindo durante a noite — descreveu.

No Brasil, de acordo com o especialista, estudos realizados na cidade de São Paulo indicam que a apneia do sono acomete 22,8% da população geral. Atualmente, estima-se que 49 milhões de brasileiros possuam a doença, o que coloca o país entre os 10 países de maior prevalência no mundo.

Sintomas como ronco, sonolência diurna, palpitação, desconforto ou dor no peito, sensação de sufocamento e falta de ar, não são os únicos que devem servir de alerta. É preciso estar igualmente atento a dores de cabeça, perda intelectual e de memória, vontade de urinar várias vezes durante a noite, piora do rendimento sexual e azia.

Segundo Dr. Marcos Sarvat, a longo prazo, a SAOS pode acarretar alterações cardiovasculares (como AVC, por exemplo), infarto agudo do miocárdio, arritmia, alterações metabólicas (como o diabetes), impotência sexual e alterações cognitivas permanentes.

Diagnóstico e tratamento

Em adultos, o diagnóstico é feito através do exame de polissonografia de noite inteira, realizada em clínicas do sono. Contudo, existem formas de avaliações em domicílio mais simples que podem ser utilizadas dependendo do caso. Exames de imagem também podem ajudar a diagnosticar o local de obstrução.

Sobre os tratamentos disponíveis atualmente para apneia do sono, o médico declarou que existem várias modalidades, de acordo com o nível de obstrução e gravidade.

— Podem ser adotadas terapias mais conservadoras como orientação nutricional para perda de peso, terapia posicional, fonoterapia e tratamento medicamentoso. Já modalidades mais clássicas incluem o uso de um aparelho com máscara durante o sono, que gera pressão positiva (CPAP), aparelho intraoral, cirurgias ortognáticas, cirurgias da faringe, língua e até traqueostomias em casos graves. Recentemente, passou-se a se discutir sobre o uso da estimulação elétrica do nervo responsável pela movimentação da língua — explicou.

Além de tratamentos médicos, Dr. Marcos Sarvat enfatizou que é fundamental manter-se no peso ideal, adotando bons hábitos alimentares, não fumar e, principalmente, evitar ingerir bebidas alcoólicas, pois, segundo ele, elas aumentam o relaxamento da musculatura da faringe, o que pode levar a uma obstrução maior do fluxo respiratório.

 

*Sob a supervisão de Juliana Temporal

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