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Anticoncepcional masculino pode estar mais próximo do que pensávamos

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Há alguns anos este tema esteve presente nas redes sociais, havendo grande manifestação, comentários a favor e contra. Um estudo de 2016 iniciou uma tentativa de desenvolver um anticoncepcional masculino, mas, devido a “fortes efeitos colaterais” reportados pelos homens que participavam do programa, foi interrompido. Os efeitos colaterais que foram reportados eram os mesmos que as mulheres já vivenciam há décadas, desde que o anticoncepcional feminino foi criado, por isso a agitação na internet. Porém, houve mais motivos para o desligamento do estudo, que veremos mais adiante.

O anticoncepcional masculino poderia significar uma diminuição nos casos de trombose e embolia pulmonar, notoriamente causados pelos anticoncepcionais femininos. Por outro lado, devido à fertilidade cíclica da mulher, é muito mais prático e fácil haver a contracepção por parte dela, ao contrário do homem, que é fértil durante 100% de sua vida adulta. É importante lembrar, também, que já existem métodos contraceptivos para os homens, como a camisinha, que tem o efeito duplo de contracepção e também prevenção contra doenças sexualmente transmissíveis, além da vasectomia.

Mas, para entendermos melhor esta questão, precisamos analisar as propostas para os anticoncepcionais masculinos e o que de fato aconteceu.

Estudo de 2016

Em 2008, iniciou-se um estudo patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU). 320 homens entre 18 e 45 anos recebiam, a cada 8 semanas, uma injeção que misturava testosterona sintética e enantato de noretisterona, um derivado de hormônios bem conhecidos pelo público feminino: a progesterona e o estrogênio.
Após 24 semanas do início dos ensaios clínicos, a taxa de espermatozoides se manteve baixa em 274 participantes – apenas 46 voluntários continuaram com contagem alta. Com o fim dos testes, a maioria dos participantes voltou a ser fértil cerca de 26 semanas depois do fim do tratamento, porém, oito homens não tiveram sua contagem de espermatozoides normalizada após 52 semanas sem as injeções.

Apesar dos efeitos colaterais serem semelhantes aos anticoncepcionais femininos, como aumento de acne, dores nos músculos e testículos (ou o que seriam as cólicas, para as mulheres), o que preocupou os desenvolvedores do estudo foram os efeitos comportamentais como o transtorno de humor. As taxas de efeitos colaterais seriam maiores neste estudo do que o apresentado pelas usuárias de anticoncepcionais femininos, mas isso pode ser, simplesmente, devido ao fato de ter sido o primeiro estudo, versus anos de desenvolvimento e melhoria nos anticoncepcionais vendidos hoje. E não foi, completamente, por causa dos efeitos colaterais que o estudo foi interrompido, e sim, devido ao tamanho do estudo, envolvendo 10 centros de pesquisa. Os resultados foram comprometidos devido a inconsistências nos resultados, levantando a suspeita de os experimentos terem sido realizados de maneira incorreta.

A principal preocupação seria o risco de o medicamento afetar a produção hormonal e acarretar uma infertilidade permanente.

Novos estudos lançados em 2019

Mas, outras fórmulas e medicamentos estão sendo considerados e cientistas não cessaram na busca pelo anticoncepcional masculino, apesar do financiamento para essas buscas serem muito limitados.

No início do ano, a Endocrine Society dos Estados Unidos divulgou no portal Eurekalert! testes em humanos do hormônio sintético dodecilcarbonato de 11-beta-metil-19-nortestosterona, ou 11-beta-MNTDC. Uma testosterona (a nandrolona) modificada para ter efeitos de hormônio masculino e de progesterona. O resultado esperado seria a diminuição da produção de espermatozoides sem afetar a libido.

O nível de testosterona de quem tomou o anticoncepcional diminuiu a níveis que não permitem a produção de espermatozoides, mas sem efeitos colaterais, pois o hormônio não seria suprimido, e sim, substituído por um composto que imita a testosterona, sem concentração suficiente para produção de espermatozoides.

A Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, desde janeiro iniciou testes com 449 casais, para analisar a eficiência de um gel contraceptivo masculino.

Participantes do teste não notaram efeitos colaterais, além do aumento da libido, na utilização do gel que é composto por uma mistura de progesterona e testosterona. A progesterona desativa a produção de espermatozoides nos testículos, mas acaba provocando uma queda na testosterona – compensada pela adição de testosterona no gel. Para os homens, basta passar o gel no corpo, que tem secagem rápida, e continuar normalmente com seu dia. Os participantes relatam já estar utilizando apenas o gel como método anticoncepcional dos casais.

Para alguns estudos, ainda faltariam ao menos dez anos para que isso se torne realidade. Porém, tudo parece indicar uma tendência para a comercialização em larga escala, onde o anticoncepcional masculino seria tão amplamente conhecido e utilizado quanto o feminino, senão mais, devido à diferença de efeitos colaterais perigosos como trombose.

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