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Amamentação é aliada no desenvolvimento emocional

Por Maylaine Nierg

No período da gestação, há um profundo vínculo entre a mãe e o bebê, como se ambos fossem um só. Ao ser retirado do aconchego do útero materno, o bebê sofre uma espécie de “trauma” e tem necessidade estar perto da mãe para se sentir protegido. De acordo com especialistas, esse vínculo que, de certa forma, é quebrado com parto, é restabelecido através da amamentação. 

Isso mostra que, além de todos os benefícios nutricionais, amamentar também é uma forma de fazer com que o bebê se sinta mais seguro, desencadeando inúmeros benefícios para o seu desenvolvimento psicossocial. 

De acordo com uma pesquisa divulgada no “Estudo sobre as Práticas de Alimentação Infantil II” (EUA), em comparação com crianças que nunca receberam o aleitamento materno, as crianças amamentadas por pelo menos seis meses podem ter chance 48% menor de apresentarem problemas emocionais. 

Ainda nessa comparação, foi constatado que crianças que recebem aleitamento materno tem chance 76% menor de desenvolverem problemas de conduta e 61% menor de apresentarem dificuldade psicossociais em geral. 

Um outro estudo, publicado pela Rede de Pesquisa Espanhola INMA, revelou que a maior duração da amamentação está associada a menos sintomas de déficit de atenção e hiperatividade e melhora nos desfechos neuropsicológicos e sócio-comportamentais. 

Na publicação “Amamentação: a base da vida”, a Sociedade Brasileira de Pediatria traz evidências de inúmeros desses estudos, enfatizando a importância da amamentação para a saúde emocional das crianças.

“Várias evidências científicas permitem afirmar que amamentar é mais que nutrir a criança. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no seu estado nutricional e aquisição de habilidades baseadas em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional”, ressalta o boletim da SBP.  

A SBP afirma também que esse fator enfatiza a importância de políticas públicas voltadas para o tema, pois sugere que pessoas que crescem com saúde emocional tendem a se desenvolverem melhor social e intelectualmente. 

“Isso tem implicações importantes em termos de políticas públicas, pois sugerem fortemente que o investimento na promoção do aleitamento materno poderá resultar não apenas em melhoria da saúde física, mas também na promoção de melhores resultados intelectuais e psicoemocionais”.

A interrupção precoce da amamentação (antes dos seis meses de vida) pode prejudicar o desenvolvimento saudável do bebê em todos os aspectos. 

Porém, as mães que, por alguma razão, não conseguem amamentar seus bebês precisam estar conscientes de que existe a alternativa dos Bancos de Leite Materno, onde elas podem colher o leite doado e amamentar seus filhos. Nesses casos, o vínculo entre mãe e bebê também é fortalecido, e a crianças podem desfrutar igualmente dos benefícios nutritivos e emocionais. 

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