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A tecnologia na relação Médico-Paciente

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Por: Rafael Laet

A evolução tecnológica é um agente transformador na medicina e no crescimento da expectativa de vida. As inovações geram novos equipamentos, especialidades e métodos, que resultam em benefícios para os serviços de saúde. Diagnósticos mais rápidos, informações mais precisas e um sistema adequado à informatização são alguns exemplos, mas apesar de tantos avanços a assunto ainda divide opiniões entre os médicos.

 Especialistas do Observatório da Saúde lembram que quando a informatização gera velocidade pressiona o sistema a se tornar mais produtivo e menos orgânico. Assim, como nos sistemas de administração e educacional, o médico também vem enfrentando uma visão distorcida da realidade clínica que precisa ser pensada com foco na saúde e no bem-estar físico e mental dos pacientes.

Para muitos especialistas, essa mudança provocada pelo avanço da tecnologia afetou muito o relacionamento médico-paciente. Um dos fatores que contribuem para a mudança é a forma de gestão nas unidades de saúde, que estão focadas no tratamento da doença, no aumento de produtividade, e na redução de custos. Esse fato vem na contramão dos princípios da medicina que é a valorização do ser humano como um todo, e não somente para números e resultados. No Brasil a estimativa é de que em muitos casos, as consultas feitas por médicos de família tem um tempo médio de 7 a 8 minutos, ou seja, o médico não se conecta com o paciente.

Foi pensando nesta complexa realidade que o Observatório da Saúde e alguns médicos passaram a defender o uso inteligente das tecnologias. Neste grupo está o médico pediatra Luiz Fernando Bouzas, ex- diretor geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que afirma utilizar as redes sociais para manter contato com todos os seus pacientes.

“Há 40 anos era tudo no papel, e hoje temos um sistema completamente diferente. Se a tecnologia permite o profissional realizar muitas consultas, ela também permite ajudar no registro de evolução de casos, tirar dúvidas pelas redes, e até mesmo orientar e tranquilizar o paciente, mas é claro que o uso dessas ferramentas precisa ser regulamentado. Nem tudo pode ser visto num vídeo”.

É importante ressaltar que desde 2002, as orientações online são permitidas por lei, mas a consulta em si, ou a telemedicina, ainda não possuem regulamentação oficial. E mesmo no caso de orientação médica ainda existem limitações. Com o livre transito de informações clínicas entre profissionais se faz necessário a manutenção sigilosa destas informações para que as mensagens não afetem negativamente a relação médico-paciente.

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