Dr. Newton Richa

Programa Saúde do Futuro

Por Dr. Newton Richa

A Saúde como um valor: Remuneração por Resultados em Saúde

Giselle Felix
Fisioterapeuta

Enquanto países em todo o mundo veem a corrupção e o desperdício impactarem na diferença entre a inflação médica e a de preços, um país com um sistema privado de saúde parecido com o brasileiro viu a inflação médica despencar, a menor diferença no mundo.

A solução encontrada para a África do Sul foi simples: os índices de corrupção e desperdício minguaram quando seus planos de saúde passaram a pagar clínicas e hospitais conveniados por resultado no atendimento e não por volume de trabalho, como acontece no Brasil.

Desde então, as clínicas precisam provar que o paciente melhorou de saúde após o tratamento. Este é o mesmo modelo de saúde inglês. No Brasil, o hospital ainda é remunerado por demanda: dias de internação, uso de material, consumo de recursos e horas profissionais.

Os sul-africanos conviviam com altas taxas de inflação na Saúde. Em 2002, iniciou-se um projeto piloto com 10 instalações. Dois anos depois, e o pagamento dos prestadores já era por resultados. “Em 2014, o reajuste médico caiu para 8%”, explica o superintendente executivo do IESS (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), diz Luiz Augusto Carneiro.

Outra medida adotada pela África do Sul foi priorizar a atenção primária e incentivo a hábitos saudáveis e diagnóstico precoce de denças crônicas. A medida derrubou o atendimento hospitalar, um dos serviços mais caros do sistema de saúde.

Até que o modelo sul-africano emplaque no Brasil o consumidor terá de lidar com reajustes indesejados. Entretanto, no último dia 24/09, um importante passo foi dado nesse sentido –  a operadora de planos de saúde Amil e o Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, adotaram um novo modelo de remuneração para internações clínica e cirúrgica: as instituições acordaram que o custo das internações passa a ser reajustado com base no IPCA, o que tende a contribuir para que a inflação médica fique num patamar mais próximo da inflação geral. Essa forma de remuneração, batizada de “ajustable budget payment”, será um modelo de transição. A meta é adotar a partir de 2019 um formato de remuneração baseado no resultado do tratamento.

No IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), 23,4% de todas as reclamações de 2017 foram contra planos de saúde, os campeões de todos os setores da economia. Quase metade delas (44,5%) envolvia reajuste na mensalidade, índice superior aos 32,6% do ano anterior. À ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que é a reguladora dos planos de saúde do Brasil, as queixas cresceram 13% de 1.788 para 2029 nos trê primeiros meses deste ano em comparação com o primeiro trimestre de 2017.

No Brasil, a ANS regula apenas o reajuste dos planos individuais ou familiares, que este ano foi de 10%. Os beneficiários desse tipo de plano, contudo, somam 17% do total de 47,3 milhões válidos em maio. Os outros 37,9 milhões são do tipo coletivo, sendo 31,5 milhões deles empresariais, sem aumento anual regulado.

Quem antes podia se dar ao luxo de ter um plano de saúde particular, está precisando repensar essa conta, pois com o somatório crise econômica + descontrole dos valores dos planos corporativos, as empresas tem aumentado a coparticipação dos funcionários nas despesas do seguro saúde corporativo, e os cidadãos que os tinham por conta própria, estão cada vez mais próximos de não conseguir mais pagar por isso.

Momento ideal para o SUS mostrar o por quê é considerado o maior sistema de saúde do mundo. Hora, de como cidadãos, exigirmos nossos direitos pela Saúde que queremos. Que nosso plano de saúde seja o SUS! E por que não remunerar os médicos da rede pública pelo resultado em saúde da população?

Sites consultados:

“Conta não fecha”: //www.uol/noticias/especiais/plano-de-saude-preco-alto.htm#conta-nao-fecha

Amil e Sírio adotam remuneração fixa: https://www.valor.com.br/empresas/5875787/amil-e-sirio-adotam-remuneracao-fixa

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *