Dr. Newton Richa

Programa Saúde do Futuro

Por Dr. Newton Richa

A Revolução das vacinas na Era da Inteligência Artificial

Giselle Felix
Fisioterapeuta

Segundo o artigo publicado em Julho de 2018 por Olivier Traina, especialista em Life-science marketing, Business strategy &Artificial intelligence – Latin America | Europe, o que há em comum entre um novo marco na precisão do diagnóstico médico, um sofisticado sistema de gerenciamento de pacientes e um método acelerado de descoberta de medicamentos é a Inteligência Artificial (IA).

Segundo o especialista, toda semana, muito além do passageiro “efeito hype”, são publicados novos exemplos concretos de como a IA pode resolver alguns dos maiores desafios da saúde. Na indústria farmacêutica, projetar novas vacinas preventivas é altamente desafiador devido aos longos ciclos de produção e à complexidade combinada dos agentes infecciosos, de um lado, e, de outro, da imunidade de cada indivíduo. No entanto, por meio da sua capacidade de rotular as coisas e de fazer previsões, a IA – na realidade, o aprendizado de máquina profundo ou deep-learning, que constitui uma subcategoria da IA – abre o caminho para uma nova abordagem na produção de vacinas com desenvolvimentos empolgantes em cada etapa do caminho. Olivier autorizou a publicação de um breve resumo de seu artigo, que poderá ser lido na íntegra pelo link divulgado ao final da coluna Saúde do Futuro. No texto a seguir, a discussão nos mostra como o jogo está mudando, e rápido, e nos ajuda a entender como, através de quatro exemplos:

1) Prevendo a imunidade: “Diga-me quem você é e eu saberei se minha vacina funciona com você ou não” – Ao produzir novas vacinas preventivas, um dos maiores desafios para o fabricante é saber que eficácia esperar da vacina em alguém exposto a determinada infecção. Isso tem se refletido, até agora, em longos ciclos de pesquisa, em falhas frequentes nos ensaios clínicos e, por fim, em um alto custo de desenvolvimento.

Dessa forma, entender por que algumas pessoas adoecem e outras não, ou por que uma determinada vacina funciona melhor em algumas pessoas, constitui uma considerável mudança de paradigmas. A Inteligência Artificial é uma das respostas para esse desafio.

2) IA e a estrutura viral: a arte de prever mutações e de detectar novos vírus – A incompatibilidade de vacinas é uma das principais razões pelas quais as vacinas contra influenza (ou “gripe”) muitas vezes não atingem o nível de eficácia esperado. A hipótese de surgimento de um vírus com forte mutação ainda é identificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das principais ameaças mundiais. A ideia é, primeiramente, analisar centenas de cepas que resultaram em variações ao longo do tempo a fim de entender as mutações observadas em novas cepas graças à computação de IA. O resultado consiste em ajudar a fazer previsões sobre as cepas mais prováveis no futuro, bem como em adaptar a proteção contra essas cepas. Trata-se também de uma solução com vistas a identificar os antígenos mais comuns e constantes que fornecerão melhor proteção.

3) Otimização da Epidemiologia: pode-se prever a circulação de doenças infecciosas – Entender como, quando e onde uma doença infecciosa se espalhará é parte de uma estratégia eficiente de vacinação. A bioestatística e a epidemiologia começaram a integrar ferramentas de aprendizado de máquina há vários anos. No entanto, nos últimos 2 anos – à medida que observamos, ao mesmo tempo, o aumento exponencial do poder computacional e do tamanho dos conjuntos de dados –, a IA está trazendo a epidemiologia para uma nova era. Como resultado, modelos preditivos mais precisos e mais rápidos estão surgindo. 

4) Cadeia logística: o fim da escassez de vacinas e a revolução da cadeia de frio – Em um estudo publicado em 2017, demonstrou-se que 18% dos casos de insuficiência no fornecimento de vacinação em todo o mundo se devem a uma má previsão e ao deficiente manejo de estoques. A logística da distribuição de vacinas é particularmente complexa, com muitos gargalos – por exemplo, no que diz respeito ao fabricante e à distribuição central, regional e local – e restrições de manutenção da cadeia de frio. Uma boa previsão é, sem dúvida, uma maneira poderosa de garantir a disponibilidade contínua de vacinas essenciais; no entanto, os métodos atuais dificilmente incorporam a coleta de alguns dados disponíveis, resultando em uma avaliação parcialmente subjetiva. A IA oferece a possibilidade de prever, de maneira eficiente, as necessidades de vacina, desde que os dados corretos sejam coletados em cada elo da cadeia.

As promessas da Inteligência Artificial na área de saúde – Olivier Traina

Revolução no mundo das vacinas: veja 4 maneiras pelas quais a Inteligência Artificial vem alterando as regras do jogo: https://www.linkedin.com/pulse/revolu%C3%A7%C3%A3o-mundo-das-vacinas-veja-4-maneiras-pelas-quais-traina/

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