Programa Saúde do Futuro

A integração da prevenção na assistência médica

Coluna Cultura de Saúde
Dr. Newton Miguel Moraes Richa - Médico do Trabalho

A integração da prevenção na assistência médica

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), as populações estão envelhecendo e, cada vez mais, as pessoas vivem com doenças crônicas por décadas. Se não forem prevenidas e controladas, as doenças crônicas constituirão os problemas mais caros enfrentados pelos sistemas de saúde em todo o mundo. As pessoas com diabetes, por exemplo, geram custos de assistência médica duas a três vezes superiores em relação às pessoas que não têm a doença. Na América Latina, as perdas de produção relacionadas ao diabetes são estimadas em cinco vezes os custos diretos de assistência médica. As doenças crónicas representam uma ameaça para todos os países, nos aspectos sanitário e económico.

Muitas doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas resultam de fatores de risco preveníveis comuns. O tabagismo, a nutrição inadequada, a inatividade física e o consumo excessivo de álcool são as principais causas dessas condições. Tais doenças podem ser prevenidas, mas os sistemas de saúde atuam pouco em prevenção e, geralmente,  os profissionais de saúde não aproveitam os contatos com os pacientes para informá-los sobre estratégias de promoção da saúde e prevenção de doenças. A maioria dos sistemas de saúde concentra sua ação na resposta a problemas agudos dos pacientes. Examinar, diagnosticar e aliviar os sintomas são as marcas dos serviços de assistência médica contemporâneos.

A OMS alerta que os sistemas de assistência médica devem responder ao desafio do crescimento das doenças crônicas, uma vez que muitas são evitáveis e, por causa disso, todas as intervenções devem incluir a prevenção. Os pacientes adequadamente informados e habilitados para reduzir os riscos para sua saúde são mais propensos a reduzir o consumo de álcool e outras substâncias nocivas, a parar de fumar, a praticar sexo seguro, a comer alimentos saudáveis ​​e a praticar atividade física. Estes comportamentos de redução de risco podem diminuir drasticamente a carga de doenças crônicas e a respectiva demanda por cuidados médicos caros. Para integrar a prevenção na assistência médica é essencial promover uma mudança na Política de Saúde e passar a estimular o compromisso e a ação dos pacientes e suas famílias, das equipas de assistência médica e das comunidades, segundo uma abordagem de gestão colaborativa.

Entre os elementos essenciais para a mudança proposta, a OMS aponta: a firme decisão de apoiar a integração da prevenção em todas as intervenções corretivas da assistência médica; os recursos financeiros necessários; o treinamento das equipes de assistência médica; e assegurar as informações, a motivação e as habilidades necessárias para a autogestão da saúde aos pacientes.

Saúde: melhor compreender para melhor cuidar.

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