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A importância da vitamina D

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Por Fernanda Machado (estagiária)*

 

Responsável por metabolizar o cálcio e o fósforo no nosso organismo, a vitamina D é essencial para o nosso corpo. Além de exercer o papel fundamental na saúde músculo-esquelética, existem outras funções que também têm sido atribuídas a ela, especialmente na parte do sistema imunológico.

Mas quais funções ela exerce no nosso organismo? Dra. Marize Lazaretti, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), informou que a principal função da vitamina D é a de propiciar a absorção intestinal do cálcio e do fósforo, que vem do alimento e que são as principais matérias-primas da mineralização dos ossos, para que eles se tornem um tecido rígido e resistente e possam nos sustentar e proteger as estruturas nobres do corpo.

— As principais funções da vitamina D foram reconhecidas entre 1919 e 1923, quando foi descoberto que ela era capaz de curar o raquitismo, que é justamente uma doença óssea grave em que ocorre o enfraquecimento dos ossos por falta dessa mineração. Hoje em dia, sabemos que a vitamina D não se limita ao tecido ósseo. Ela também é importante para o fortalecimento muscular e para o sistema imunológico, além de estar relacionada a algumas doenças autoimunes — disse.

Segundo a Dra. Marize Lazaretti, a vitamina D está presente em alguns alimentos, como peixes gordurosos (salmão selvagem, atum), mas teríamos que comer diariamente para ser assimilada pelo organismo, o que não fazemos. Outras fontes, como leite ou ovos, possuem quantidades mínimas. E somente os cogumelos irradiados têm quantidades elevadas, mas não são os que comemos habitualmente. Então, é possível dizer que as fontes alimentares aqui no Brasil devem ser desconsideradas como fonte de vitamina D, sendo desprezíveis.

A principal fonte de vitamina D é a luz solar.  O sol é capaz de penetrar na nossa pele e induzir a formação dessa substância. De acordo com Dra. Marize Lazaretti, existe uma molécula precursora que fica embaixo das camadas de pele, na epiderme. Quando os raios ultravioletas a atingem, ela se transforma em vitamina D e começa a cumprir suas funções no nosso organismo.

— Por isso, atualmente, tantas pessoas apresentam deficiências desse composto. Nossos hábitos mudaram. Hoje, levamos uma vida mais indoor, em ambientes fechados, diminuindo cada vez mais nossa exposição ao sol. Mesmo num país quente e ensolarado como o Brasil, o número de pessoas com deficiência de vitamina D só cresce. Agora, durante a pandemia, isso piorou muito — declarou.

A deficiência grave de vitamina D causa uma doença óssea chamada raquitismo ou osteomalacia. Nas deficiências menos graves, pode ocasionar o desenvolvimento do hiperparatireoidismo secundário, outro hormônio que é produzido nas paratiroides (o PTH), responsável por manter o nível de cálcio no sangue em níveis normais. Sem a vitamina, o cálcio no sangue cai, fazendo com que o paratormônio aumente, justamente para manter o cálcio sanguíneo dentro da normalidade. A longo prazo, essa situação, chamada de hiperparatireoidismo secundário a deficiência de vitamina D, acaba induzindo uma perda óssea.

 

Covid-19 e vitamina D

Recentemente, devido à pandemia do novo coronavírus, a vitamina D começou a ser investigada em relação à Covid-19. A partir desses estudos, foram encontradas evidências de que sua deficiência aumenta o risco de infecções respiratórias agudas, incluindo a Covid-19.

— Com esses resultados foi inferido que a vitamina D pudesse exercer um papel na doença causada pelo novo vírus. Mais pesquisas foram realizadas, principalmente na Europa, apontando que indivíduos que tinham uma forma mais grave da Covid-19 apresentavam também uma deficiência acentuada de vitamina D. Isso se encaixou bem no público considerado “grupo de risco”: obesos, idosos e os diabéticos — relatou a especialista, que citou um trabalho recente realizado na Espanha. Nesse estudo, de setembro desse ano, os pacientes foram divididos em dois grupos: metade foi tratado com placebo e a outra metade com vitamina D. Aqueles tratados com a vitamina apresentaram um resultado melhor do que os que receberam o placebo.

Apesar da notável importância da substância, mega doses de vitamina D não são recomendadas, pois não têm benefício comprovado cientificamente. As suplementações devem ser com as doses habituais e seguras. Além disso, é importante ressaltar que essa não é a cura da Covid-19, mas apenas um fator que auxiliar no combate a ela.

 

*Sob a supervisão de Juliana Temporal

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