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A febre chikungunya

A febre chikungunya (CHIK) é uma arbovirose causada pelo vírus Chikungunya (CHIKV). É transmitida pela picada da fêmea dos mosquitos Aedes aegypti e Ae. albopictus.

O quadro clínico da fase aguda é muito semelhante à febre do dengue, com início súbito de febre alta, dor de cabeça, dores nas juntas e músculos, erupções cutâneas, algumas vezes com coceira, náuseas e fadiga. A característica principal da febre CHIK é a presença de dor/inchaço nas juntas descrita em mais de 90% dos pacientes na fase aguda da doença. As juntas das mãos, punhos, cotovelos, joelhos, tornozelos e pés são as mais acometidas. O acometimento da coluna pode ocorrer em até metade dos pacientes. Outros sinais e sintomas descritos na fase aguda da CHIK são dor retro-ocular, calafrios, conjuntivite, faringite, náusea, vômitos, diarreia, dor abdominal e neurite. As manifestações do trato gastrointestinal são mais presentes nas crianças.

Além da CHIK, a dengue e a zika também podem apresentar dor e inchaço nas juntas, principalmente em mãos e tornozelos, o que torna muito difícil o diagnóstico diferencial destas três doenças em uma fase inicial.

Após a fase aguda ou febril, alguns pacientes evoluem com persistência das dores nas articulações, caracterizando o início da fase subaguda, com duração de até 3 meses. Durante esta fase, a febre normalmente desaparece, podendo haver persistência ou agravamento das dores nas juntas, às vezes com inchaço das mesmas.            O quadro reumático (dor nas juntas, músculos e coluna) muitas vezes é debilitante e pode cronificar (assim considerado se permanece além de 3 meses após o início da doença) podendo persistir por anos. As manifestações têm comportamento flutuante. Alguns pacientes poderão evoluir com doença articular destrutiva semelhante à artrite psoriásica ou reumatoide. Outras manifestações descritas durante a fase crônica são: cansaço, dor de cabeça, coceira, queda de cabelo, erupção na pele, bursite, tenossinovite, dormência, formigamento, distúrbios do sono, alterações da memória, déficit de atenção, alterações do humor, turvação visual e depressão. Esta fase pode durar até três anos.

Até o momento, não há tratamento antiviral específico para chikungunya. A abordagem terapêutica, portanto, é de suporte sintomático, hidratação e repouso. Recomenda-se a utilização de compressas frias como medida analgésica nas articulações acometidas de 4 em 4 horas por 20 minutos. É necessário estimular a hidratação oral dos pacientes (2 litros no período de 24 horas). A hidratação oral inicia-se na unidade de saúde. Existem evidências que o repouso é fator protetor para evitar evolução para fase subaguda, sendo de extrema importância. Deve-se evitar atividades que sobrecarreguem as articulações e orientar sobre o posicionamento adequado dos membros favorecendo a proteção articular e o retorno venoso.

Os objetivos do tratamento são: controlar a febre e a dor, tratar a desidratação ou comprometimento de outros órgãos, prevenir risco iatrogênico, manter a capacidade funcional e evitar a disseminação para parentes e contactantes.

            Para o controle da dor o seu médico pode lhe receitar diferentes tipos de analgésicos. O uso de anti-inflamatórios ou aspirina está contraindicado nos primeiros dias, até que o diagnóstico diferencial com a dengue tenha sido afastado (risco de sangramento). Caso as queixas reumáticas persistam outras medicações poderão ser prescritas pelo seu médico (evite a automedicação).

Fonte: Dr. Geraldo da Rocha Castelar Pinheiro – Professor de Reumatologia da Faculdade de Ciências Médicas – UERJ

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